Fiesp prevê crescimento de 1,5% no emprego industrial paulista em 2008
YGOR SALLES
da Folha Online
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) prevê um crescimento de apenas 1,5% para o emprego nas indústrias paulistas neste ano, menor do que o crescimento do mesmo número no ano anterior (5,01%) e da previsão do PIB (Produto Interno Bruto) no ano (em torno de 5,2%).
Se a previsão se confirmar, as indústrias paulistas fecharão o ano aproximadamente 35 a 40 mil empregos a mais. No ano passado, por sua vez, foram gerados 104 mil empregos.
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Segundo o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp, Paulo Francini, a crise financeira global será a grande responsável por essa desaceleração. "Os efeitos da crise vão se amplificar e espalhar, e estamos vendo os primeiros sinais disso", disse.
Até novembro, a indústria paulista acumula a criação de 123 mil empregos. Porém, o número é inflado pelo setor de açúcar e álcool, que no final do ano demite maciçamente devido ao final da safra de cana-de-açúcar. Somado aos efeitos da crise, dezembro deve trazer o corte de mais de 80 mil postos de trabalho.
"No início da queda do ritmo [de empregos gerados no acumulado de 12 meses], tratávamos o número como uma desaceleração normal, até que acontecesse uma acomodação", disse Francini, lembrando que nesta ocasião previa uma alta de 2,5% a 3% no emprego da indústria em 2008. "Agora ganhamos um ímpeto devido ao processo inicial da crise."
O diretor da Fiesp chamou a atenção para o alastramento dos setores que já mais demitem do que contratam. Em novembro, dos 21 setores analisados, 14 se encontraram nesta situação. "Foi um número muito alto. Mesmo em novembro de 2006, quando o ano fechou com dados negativos, não teve uma quantidade tão grande de setores demitindo", lamentou. Na ocasião, 11 setores tiveram desempenho negativo no emprego.
Os setores mais atingidos, segundo Francini, são os diretamente ligados ao crédito --o que aponta para máquinas e equipamentos e automotivo. "O de máquinas recua devido ao menor investimento, enquanto o automotivo depende do crédito e da confiança do consumidor para avançar", explica. Quanto ao segundo setor, ele lembrou que as montadoras ainda não demitiram fortemente. "Por enquanto, isso ocorre com maior intensidade nas fábricas de autopeças."
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