Resultados do primeiro trimestre servirão para projetar 2009, diz Fecomercio
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
A indefinição quanto aos rumos da economia brasileira devido a crise financeira internacional fez com que a Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) evitasse apontar uma projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009. O discurso da entidade é aguardar os números de primeiro trimestre para avaliar o restante do ano.
"A crise ainda não mostrou sua cara feia. O primeiro trimestre será colocado como balizador para saber como será o restante do ano", afirmou o diretor-executivo da Fecomercio, Antonio Carlos Borges.
Oficialmente, a entidade trabalha como cenário provável um crescimento do PIB em 3% no ano que vem. Porém, o responsável por essa análise, o presidente do Conselho de Planejamento Estratégico, Paulo Rabello de Castro, já tem uma visão mais pessimista para 2009.
"Nas condições internacionais de hoje e na falta de iniciativa do governo federal, nós vamos cair para uma faixa entre 1,5% e 2% de crescimento em 2009", disse Castro. Segundo ele, grande parte desse crescimento será sustentado apenas pelo agronegócio.
"Mesmo que o crescimento seja de 1,5%, mas o Brasil aproveitar e se reformular para sair da crise, o resultado será excelente", avalia Castro.
Natal
Para o diretor-executivo da Fecomercio, os números econômicos brasileiros no quarto trimestre só não estão pior devido a proximidade com o Natal, que tradicionalmente movimenta positivamente o país.
"Se o varejo tiver um grande desempenho neste Natal, começaremos o ano com estoques mais baixos. O fator sazonal foi o que tivemos de melhor", disse.
Para Borges, o consumidor brasileiro não atenderá os apelos feitos pelo governo federal, principalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para não deixar de comprar e assim não interromper o ciclo virtuoso da cadeia econômica: consumo - produção - emprego - consumo.
"O consumidor brasileiro conhece a crise, pois viveu longo anos em processos de crise. Ele não vai ser estimulado por apelos de consumo", afirma.
Segundo o diretor executivo da Fecomercio, 50% das famílias paulistanas estão endividadas em dezembro deste ano, sendo que 30% estão inadimplentes e 28% não tem condições de pagar suas dívidas.
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