Opep faz maior corte de sua história em produção de petróleo
da Folha Online
Atualizada às 15h21
A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu nesta quarta-feira reduzir sua produção petrolífera mais uma vez, em 2,2 milhões, de barris por dia, a maior redução já feita em uma única ação. A decisão se segue a cortes decididos em setembro e outubro, que chegaram a 2 milhões de barris na produção. O total dos cortes chegará, assim, a 4,2 milhões de barris diários, informou o cartel.
"A conferência da Opep concordou em cortar 4,2 milhões de barris por dia sobre a produção real da organização em setembro (...), de 29.045 milhões de barris por dia a partir de 1º de janeiro de 2009", diz o comunicado divulgado após a reunião. A produção hoje está em cerca de 27,3 milhões de barris diários.
Os cortes passarão a ter efeito a partir de 1º de janeiro de 2009. A próxima reunião do cartel deverá ocorrer no próximo dia 15 de março.
A decisão não bastou para impedir a queda de preço: os investidores ainda vêem um mercado petrolífero saturado, devido às expectativas de queda na demanda devido à crise econômica global. Às 14h59 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em janeiro, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês) estava cotado a US$ 41,11, em baixa de 5,71%. Até o horário, o preço máximo atingido pela commodity era de US$ 45,50 e o mínimo, de US$ 40,20.
Mais cedo, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi, havia afirmado que havia um consenso para uma redução de 2 milhões de barris diários na produção dos países membros da organização.
Segundo ele, a Rússia --principal concorrente da Opep-- informou que cortará sua produção, independentemente da decisão dos membros do cartel. A produção diária russa deverá ser reduzida em 320 mil barris, para acompanhar a decisão da Opep, e o Azerbaijão também se mostrou disposto a reduzir a sua extração em 300 mil barris ao dia.
O objetivo da limitação da oferta é conter a queda dos preços do petróleo, que desabaram em cerca de 70% desde julho.
A reunião de hoje é a última conferência com a participação da Indonésia, país que se retira do grupo em 1º de janeiro por ter passado de exportador a importador líquido de petróleo.
Demanda
Na semana passada, a IEA (Agência Internacional da Energia, na sigla em inglês) revisou, novamente para baixo, suas previsões sobre a demanda mundial de petróleo. Para este ano, a agência previu a primeira queda em 25 anos, devido à crise.
A demanda mundial cairá até 85,8 milhões de barris diários, uma redução de 350 mil barris na comparação com a previsão anterior da agência, e de 200 mil barris diários, em relação à de 2007.
Em 2009, a expectativa é de uma mudança de tendência e um novo crescimento da demanda para 86,3 milhões de barris diários, um número também revisto para baixo (260 mil barris a menos) em relação ao mês anterior.
A agência afirma que a alta de 2009 se baseia nas últimas previsões de recuperação econômica divulgadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
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