GM e Chrysler retomam negociações sobre fusão, diz jornal
da Folha Online
As montadoras americanas General Motors e Chrysler reabriram negociações para uma eventual fusão, no momento em que o fundo de investimento norte-americano Cerberus Capital Management, detentor do controle da Chrysler, sinalizou que pode vender sua parte na empresa, segundo fontes ouvidas pelo diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ").
De acordo com o "WSJ", o Cerberus tomou a iniciativa de reabrir as negociações há poucas semanas; quando a idéia foi lançada, ambas as empresas julgavam a proposta "impraticável", uma "distração" em um cenário que exigia atenção sobre os problemas de falta de dinheiro em ambas.
"Ainda não estão claros quais efeitos a reabertura das conversas sobre fusão poderão ter sobre os complicados cálculos políticos pendentes quanto à ajuda do governo para as montadoras", diz a reportagem.
Ontem, a Chrysler informou que, devido à crise financeira internacional, suspenderá todas as suas operações de produção nos Estados Unidos durante um mês, já a partir desta sexta-feira (19). Em nota, a empresa também anunciou que suas concessionárias registraram uma redução de 20 a 25% nas vendas.
Já a GM informou na semana passada que vai interromper temporariamente 30% de sua produção na América do Norte em resposta à "rápida deterioração das condições do mercado". A interrupção temporária vai afetar 14 fábricas da empresa nos Estados Unidos, assim como três no Canadá e três no México, o que deve reduzir a produção em cerca de 250 mil veículos nos primeiros três meses de 2009.
A montadora viu suas vendas caírem 41% no mês de novembro, enquanto a queda total nas vendas de carros nos Estados Unidos foi de 26%.
Neste mês, o Congresso pressionou o Cerberus para injetar dinheiro na Chrysler como parte do plano para resgatar a empresa. Até o momento, o fundo de investimento rejeita a idéia --alegando que os acionistas da GM e da Ford não receberam o mesmo tipo de pedido.
A Chrysler pediu ao governo US$ 7 bilhões na forma de um "empréstimo-ponte" (feito para uma empresa livre de dívidas, que, por sua vez, injeta dinheiro na companhia) até 31 de dezembro. A Chrysler argumentou que o custo com a falência da empresa seria de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões.
O pacote que a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) aprovou na semana passada, de US$ 14 bilhões, para salvar as montadoras foi rejeitado, na mesma semana, pelo Senado. O governo federal chegou a sugerir que poderia utilizar recursos do pacote de US$ 700 bilhões, aprovado em outubro no Congresso para resgatar bancos em dificuldades, para ajudar as fabricantes de veículos.
No sábado (15), no entanto, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que seu governo não está pronto para anunciar um plano de resgate para General Motors, Chrysler e Ford, apesar da grave crise que o setor enfrenta.
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