Mercado de trabalho contraria expectativa e desemprego sobe com crise
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Apesar da histórica tendência de melhora, o mercado de trabalho piorou em novembro, com a taxa de desemprego acelerando dos 7,5% em outubro para 7,6% e a população ocupada caindo 0,4% em relação ao mês anterior.
Veja as medidas anticrise já anunciadas no Brasil
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
10 questões para entender o tremor na economia
Desde o início da série histórica em 2002, essa a primeira queda para um mês de novembro, que fechou com 22,1 milhões de trabalhadores ocupados. Para o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Cimar Azeredo, esse dado pode ser um indicador de que a crise está contagiando o mercado de trabalho.
"Novembro é um mês que, tradicionalmente, mostra um aquecimento do mercado de trabalho. Em 2007, por exemplo, a população ocupada havia subido 0,7%. Não foi um bom mês para o mercado de trabalho", afirmou.
Azeredo frisou que ainda é cedo para se dizer que a crise foi determinante para o resultado. Segundo ele, uma análise mais aprofundada do mercado só poderá ser feita em janeiro, quando as contratações temporárias que são feitas no fim do ano terminarem.
A retração de alguns segmentos corroboram a tese de piora do mercado de trabalho no mês passado. No comércio, por exemplo, foram 25 mil trabalhadores a menos de outubro para novembro (-0,6%). Em 2007, o comércio havia ampliado em 12 mil o número de empregados.
O volume de empregados terceirizados, que vinha em constante elevação, caiu 2,5% entre outubro e novembro, com 83 mil trabalhadores a menos. Os empregados em serviços domésticos caíram 1,5%. "Isso mostra que as pessoas podem estar menos cautelosas. Um reflexo certo é na busca por serviços domésticos", explicou Azeredo.
Na indústria, porém, o número de empregados teve alta de 1,5% frente a outubro, e na construção, a elevação foi de 0,9%.
A mudança no quadro do mercado em novembro ameaça a expectativa de que a taxa de desemprego pudesse registrar o patamar mais baixo da série histórica em dezembro -- o recorde é de 7,4%, observado em dezembro de 2007.
Mesmo assim, dificilmente a taxa ao longo de 2008 deixará de ser recorde, abaixo dos 9,3% de 2007. De janeiro a novembro, a média da taxa de desemprego é de 8%. Se for repetido os 7,6% de novembro, a alta no ano permanecerá em 8%.
"A série histórica mostra que nunca houve alta na passagem de novembro para dezembro. Dificilmente a taxa de 2008 vai superar a de 2007", comentou.
Azeredo ressaltou que a situação do mercado de trabalho não é ruim, mas que a queda da população ocupada em novembro frustrou um pouco a expectativa para este final de ano.
"Esperávamos que fosse melhorar", admitiu.
Leia mais
- Taxa de desemprego sobe para 7,6% em novembro, diz IBGE
- Metalúrgicos pressionam contra onda de demissões
- Lula nega intenção de mudar leis trabalhistas e diz que não há motivo para demissões
- CSN corta 300 empregados da usina de Volta Redonda, afirma sindicato
Leia Mais
- Petróleo recua para US$ 33 e retoma preços de 2004
- BC prevê queda de 25% no investimento estrangeiro em 2009
- Medo de bancos ameaça infra-estrutura, diz governo
Especial
- Leia a cobertura especial sobre a crise financeira mundial
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria

