Montadoras dos EUA vão receber até US$ 17,4 bi em ajuda do governo
da Folha Online
O governo americano deve ajudar o setor automobilístico com até US$ 17,4 bilhões, tirados do chamado Tarp (Programa para Alívio de Ativos Problemáticos, na sigla em inglês), o pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro e destinado inicialmente a resgatar empresas do setor bancário com problemas ligados a papéis 'podres' (com alto risco de calote), segundo anúncio feito nesta sexta-feira.
Em discurso, o presidente George W. Bush afirmou que deixar montadoras quebrarem "não é uma ação responsável".
De início a General Motors (GM) e a Chrysler terão acesso a US$ 13,4 bilhões, com outros US$ 4 bilhões que podem ser oferecidos em março. O acordo exige como contrapartida das empresas a apresentação de dados que mostrem que estão em condição financeiramente viável até o fim de março de 2009.
Segundo a rede americana de TV CNN, a GM e a Chrysler devem assinar os papéis para receber o empréstimo ainda hoje. Os primeiros recursos estarão disponíveis ainda neste mês e em janeiro.
Ontem, o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ") informou que a GM e a Chrysler reabriram negociações para uma eventual fusão: o fundo norte-americano Cerberus Capital Management, detentor do controle da Chrysler, sinalizou que pode vender sua parte na empresa.
"Ainda não estão claros quais efeitos a reabertura das conversas sobre fusão poderão ter sobre os complicados cálculos políticos pendentes quanto à ajuda do governo para as montadoras", diz a reportagem.
A Chrysler já informou que, devido à crise financeira internacional, suspenderá todas as suas operações de produção nos Estados Unidos durante um mês, já a partir desta sexta-feira (19). A GM, por sua vez, vai interromper temporariamente 30% de sua produção na América do Norte em resposta à "rápida deterioração das condições do mercado". A interrupção temporária vai afetar 14 fábricas da empresa nos Estados Unidos, assim como três no Canadá e três no México.
Pacote
O Congresso pressionou o Cerberus para injetar dinheiro na Chrysler como parte do plano para resgatar a empresa. Até o momento, o fundo de investimento rejeita a idéia --alegando que os acionistas da GM e da Ford não receberam o mesmo tipo de pedido.
A Chrysler pediu ao governo US$ 7 bilhões na forma de um "empréstimo-ponte" (feito para uma empresa livre de dívidas, que, por sua vez, injeta dinheiro na companhia) até 31 de dezembro. A Chrysler argumentou que o custo com a falência da empresa seria de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões.
O pacote que a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) aprovou na semana passada, de US$ 14 bilhões, para salvar as montadoras foi rejeitado, na mesma semana, pelo Senado. O governo federal chegou a sugerir que poderia utilizar recursos do pacote de US$ 700 bilhões, aprovado em outubro no Congresso para resgatar bancos em dificuldades, para ajudar as fabricantes de veículos.
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