BC eleva projeção do PIB para 5,6% em 2008; para 2009, previsão é de 3,2%
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
Atualizado às 9h57
O Banco Central aumentou a previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano. Conforme o Relatório de Inflação divulgado pelo banco nesta segunda-feira, o crescimento da economia em 2008 será de 5,6%, contra 5% na previsão de setembro.
Para o ano que vem, porém, a estimativa é de retração, com o PIB crescendo 3,2%. "A projeção para a expansão anual do PIB considera a ocorrência de desempenho favorável em todos os setores da economia, mas em cenário de desaceleração generalizada", afirma o relatório.
"O resultado expressivo assinalado no terceiro trimestre do ano não refletiu os impactos do agravamento da crise nos mercados financeiros sobre as condições de crédito e o nível de incertezas de consumidores e empresários, ambiente que deverá se traduzir em desaceleração da atividade econômica no último trimestre do ano", ressalta o documento.
Em 2008, a previsão para a agropecuária é de crescimento de 6,7%, 1,2 pontos percentuais a mais do que a registrada no relatório de setembro. No ano que vem, o setor deverá crescer apenas 0,2%. "Essa desaceleração mostra-se compatível com a redução na demanda mundial por commodities agrícolas, em linha com a retração da renda e do comércio mundiais", diz o texto.
Para o setor industrial, a previsão para 2008 recuou de 5,5% para 5,4%. "A produção deste setor, que capta as oscilações inerentes aos ciclos econômicos de forma mais intensa, deverá sofrer impacto mais intensamente no quarto trimestre", afirma o documento. Em 2009, a previsão é de crescimento de 3,6%, sustentado principalmente pelas indústrias de extrativismo mineral e de construção civil.
Para o setor de serviços, a projeção passou de 4,5% para 5% em 2008. Para 2009, a expansão deverá ser de 3,1%, de acordo com o relatório.
Inflação
Para a inflação, o BC elevou a previsão para este ano é de 6,2%, ligeiramente acima dos 6,1% do relatório anterior divulgado no final de setembro. Para 2009, porém, a projeção diminuiu de 4,8% para 4,7%. As duas previsões ficaram acima do centro da meta para os dois anos que é de 4,5%.
Esses números são do chamado "cenário de referência", que leva em consideração a manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,40 e a selic em 13,75%. Nesse cenário, a projeção para o primeiro trimestre de 2009 é de 6,3%. Para o quarto trimestre de 2010, cai para 4,2%.
O relatório chama atenção para o fato de, na comparação com setembro, ter havido uma contração mais intensa da atividade econômica mundial, principalmente pelo agravamento da crise mundial nos países emergentes.
"Depois de um período onde se acreditava que os efeitos da crise mundial nas economias emergentes pareciam ser, e de fato eram, menos intensos, corroborado ainda por um crescimento acentuado dos preços das commodities, essas economias passaram, nos últimos meses, a sofrer mais fortemente os impactos da crise", diz o texto
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