Dinheiro
22/12/2008 - 11h57

Investimentos da Petrobras não deverão cair em 2009, diz Gabrielli

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta segunda-feira que os investimentos da empresa em 2009 não deverão ser inferiores ao volume que será empregado neste ano. Ele informou que foi enviada uma previsão ao Congresso de R$ 72 bilhões em agosto, antes do agravamento da crise, e que esse número poderá ser revisto para baixo.

"Não necessariamente isso implicaria em cortes de projetos. Pode ser feito um ajustamento interno e no tempo desses projetos. O investimento é uma decisão plurianual, nunca é uma decisão só para o ano. Acredito que deveremos ter um investimento superior ao deste ano", afirmou.

Para 2008, a Petrobras avalia que investirá entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões. A declaração de Gabrielli contrasta com a dada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que preside o Conselho de Administração da estatal. Dilma declarou que o investimento da Petrobras, sem o pré-sal, seria de R$ 40 bilhões no ano que vem.

O adiamento da divulgação do novo Plano de Negócios da companhia para janeiro foi influenciada principalmente pela grande variação dos custos do setor, conforme Gabrielli. Ele citou a forte variação do barril do petróleo e a redução da demanda mundial, que deverão impactar para baixo os custos de equipamentos e insumos para o setor. O executivo alegou que os projetos têm que ser avaliados com maior precisão.

"Quando isso vai ocorrer, ninguém sabe. A resposta da cadeia demora. Há incertezas sobre o que vai acontecer e o reflexo no custo dos projetos. Diante desse quadro de incertezas sobre os custos, resolvemos não aprovar o plano", observou.

Gabrielli ressaltou que todas as grandes empresas de petróleo estão adotando o mesmo procedimento. Ele disse ainda que não foi discutida de forma específica a retirada de qualquer projeto do planejamento. "Avaliamos tudo de forma geral".

O executivo destacou também que a exploração de projetos na camada pré-sal é viável diante do barril cotado nos níveis atuais. Ele acrescentou que espera uma redução dos custos dos projetos para esses blocos, que são prioritários para a empresa e estão com os cronogramas mantidos.

Antecipação

O diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, afirmou que está sendo avaliada a antecipação da entrada em operação de poços situados na camada pré-sal no Parque das Baleias, na parte capixaba na bacia de Campos.

Na região, está situado o primeiro poço no pré-sal em operação no país, que produz cerca de 13 mil barris/dia desde setembro. Apesar de estarem na camada pré-sal, os poços no Espírito Santo têm menos potencial do que os descobertos recentemente na bacia de Santos.

Em relação aos preços da gasolina e do diesel, Gabrielli reafirmou que a Petrobras avalia os custos no longo prazo, para a alta volatilidade do barril não refletir nos preços internos. Ele destacou que nos próximos meses, o preço internacional da gasolina --que deverá subir, segundo estimativas do mercado-- e a taxa de câmbio, serão variáveis importantes.

"Quando o petróleo foi a US$ 140, não aumentamos o preço imediatamente", lembrou.

 

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