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Dinheiro
22/12/2008 - 16h00

Ministro quer "flexibilização dos lucros" das empresas com trabalhadores

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, e m Brasília

O ministro Carlos Luppi disse nesta segunda-feira que os empresários devem ter "consciência nacional" e dividir os lucros que tiveram até agora com os trabalhadores brasileiros. Ele rechaçou os pedidos de flexibilização nas leis trabalhistas durante a crise, para evitar novas demissões.

"Na hora do lucro não chamaram o trabalhador para dividir. Quando fala em flexibilização trabalhista, eu quero saber da flexibilização dos lucros, quando vai ser?", disse.

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O ministro recorreu ao mesmo argumento utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última quinta-feira. Em evento em Brasília, Lula negou que o governo estude flexibilizar as leis trabalhistas para evitar o desemprego e disse também que os empresários devem usar os lucros acumulados para pagar funcionários.

"Acho que uma parte dos empresários deveria pagar com uma parte dos lucros que acumularam. O governo não vai deixar de assumir a responsabilidade de cuidar dos trabalhadores, mas nenhum empresário ainda tem motivo para mandar um trabalhador embora", afirmou o presidente.

Luppi disse que ainda é cedo para discutir o aumento do número de parcelas do seguro desemprego e que é preciso acompanhar os reflexos da crise no mercado de trabalho nos próximos meses. Ele disse acreditar numa melhoria no cenário mundial após a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no fim de janeiro.

"Os Estados Unidos já atingiram o fundo do seu poço. Está há um ano em recessão", ressaltou.

Apesar do desempenho de novembro, quando foi registrada queda de 40.821 empregos, Luppi acredita que o mês de dezembro terá um desempenho melhor do que o de 2007. No ano passado, em dezembro, foram cortados 319 mil postos. Para o ministro, a queda neste ano ficará abaixo dos 300 mil. "Houve uma antecipação [nas demissões] em alguns setores por causa dos estoques", afirmou.

O ministro previu um saldo no final do ano entre 1,8 e 1,9 milhão de empregos. Anteriormente, a previsão de Luppi era de mais de 2 milhões.

 

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