Juros do cheque especial atingem maior nível em cinco anos
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
Os juros do cheque especial em novembro atingiram o maior nível desde junho de 2003, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central. A taxa subiu 4 pontos percentuais, passando de 170,8% ao ano em outubro para 174,8% no mês seguinte.
No geral, os juros para pessoa física subiram 3,8 pontos percentuais em novembro, alcançando 58,7% ao ano, o maior nível desde março de 2006. A taxa para pessoa jurídica caiu 0,4 ponto percentual, passando de 31,6% ao ano em outubro para 31,2% em novembro. A taxa média geral ficou em 44,1% ao ano, valor 1,2 ponto percentual maior do que no mês anterior.
O spread bancário para pessoa física chegou a 43,6% ao ano em novembro, alta de 3,8 pontos percentuais em relação a outubro, o maior desde março de 2006. Para pessoa jurídica, o spread foi de 18,3% ao ano no mês passado, alta de 0,8 ponto percentual.
A taxa do crédito pessoal também aumentou de 57,5% ao ano em outubro para 60,6% ao ano em novembro.
Para o financiamento de veículos, a taxa passou de 34,1% ao ano para 37,6% em novembro.
PIB
O volume de crédito concedido alcançou 40,3% do PIB (Produto Interno Bruto) em novembro, contra 39,6% em outubro. A relação alcançou um patamar recorde. O volume total cresceu 2%, alcançando R$ 1,2 trilhão em novembro. Para pessoa jurídica, o crescimento foi de 3%, mas para pessoas físicas foi de apenas 0,1%.
"Se observa uma continuidade de crescimento no crédito, principalmente no crédito voltado para a pessoa jurídica", afirmou o diretor chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
A média diária de concessão de crédito aumentou 4,2%, crescendo 6% para pessoas físicas e 3,3% para pessoa jurídica.
Perspectivas
Segundo Lopes, o volume de crédito deverá crescer 16% em 2009 --a metade da expansão acumulada nos últimos 12 meses, que é de 32,8%. Para 2008, a previsão é fechar o ano com um crescimento de 31%.
"Crescer 16% não é trivial, principalmente em um ano em que você está em recuperação, não é tão baixo", afirmou Lopes.
A projeção é que o volume de crédito alcance 42% do PIB no ano que vem. Para 2008, a relação crédito/PIB deve ficar em 40,5%.
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