Montadoras chegam ao final de 2008 à beira de um colapso
MIRA OBERMAN
da France Presse, em Chicago
Nenhuma montadora de veículos do mundo conseguiu escapar da tormenta que sacode o setor em 2008 e que pode trazer ainda muitos prejuízos, mesmo com o socorro de alguns governos a esta indústria rica em mão-de-obra.
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Em Washington, as três gigantes norte-americanas --General Motors (GM), Ford e Chrysler-- terminam o ano com a ajuda do Congresso, condicionada para as duas primeiras, de US$ 17,4 bilhões para escapar da falência.
A crise de crédito teve efeitos arrasadores para as indústrias de Detroit --a "capital da indústria automotiva mundial--, em um contexto em que os bancos não querem emprestar dinheiros para os consumidores. A indústria também é castigada por produzir veículos de elevado consumo de combustível, em tempos de altos preços do petróleo (neste ano, o barril chegou a atingir US$ 147 em Nova York).
General Motors e Chrysler advertiram que poderiam quebrar no início do próximo ano se não recebessem ajuda estatal, ante a reticência dos políticos americanos em acudir o setor, que de todas as formas pode estar condenado pela competição estrangeira.
Mesmo depois da decisão de Washington em socorrer a indústria, que emprega um a cada dez trabalhadores dos Estados Unidos, um analista da agência de classificação de risco Standard & Poor's disse que "a quebra de um dos fabricantes continua possível".
Os problemas das montadoras não serão resolvidos de um dia para o outro, porque continuarão a sofrer os efeitos da queda da demanda no mundo.
"Será difícil encontrar uma região do mundo que não esteja sob forte pressão", disse Lemos Stein.
Na Europa, como na Ásia, os fabricantes devem recorrer às férias forçadas ante uma baixa das vendas que tem superado os 40% em muitos países durante os últimos meses.
Na França, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou recursos de 1.000 euros para os compradores de veículos novos para estimular a renovação dos estoques de carros.
Países emergentes não passaram ilesos pelos reflexos da crise no mercado automotivo --nem sequer o Brasil e a China, onde o crescimento alcançou entre 20% e 30% nos últimos anos e onde o número de novos emplacamentos caiu 10% em dezembro.
"Ainda não tocamos o fundo. As más notícias continuam chegando", disse Rebecca Lindland, analista da Global Insight, que não espera uma normalização da atividade antes de 2010.
"A Europa está em fase de início de recessão e os mercados emergentes seguem desacelerando e não se sabe quando esse processo será contido", afirmou.
A crise supõe uma redistribuição do mercado em todo o mundo. A Toyota está a ponto de se tornar a número 1 do setor, superando a GM, enquanto que a Volkswagen já deslocou a Ford ao terceiro lugar na classificação.
Como sinal dos tempos, a Ford teve que vender as renomadas marcas britânicas Jaguar e Land Rover ao grupo indiano Tata e pode desfazer-se da sueca Volvo. Já a GM estuda a venda da Saab.
Mas as dificuldades financeiras emperram o jogo: a GM renunciou à fusão com a Chrysler e, na Alemanha, a Porsche teve que fazer o mesmo em relação à Volks. Estes mesmos problemas de recursos ameaçam frear o avanço em direção a modelos mais econômicos em combustíveis.
Na Ásia, a Toyota chegou a advertir, em novembro, que seus ganhos devem cair neste ano ao nível mais baixo em nove anos, enquanto a Honda e a Nissan preparam um comunicado similar a seus investidores, como também já fez a alemã BMW.
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