Dinheiro
25/12/2008 - 12h50

Montadoras chegam ao final de 2008 à beira de um colapso

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MIRA OBERMAN
da France Presse, em Chicago

Nenhuma montadora de veículos do mundo conseguiu escapar da tormenta que sacode o setor em 2008 e que pode trazer ainda muitos prejuízos, mesmo com o socorro de alguns governos a esta indústria rica em mão-de-obra.

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Em Washington, as três gigantes norte-americanas --General Motors (GM), Ford e Chrysler-- terminam o ano com a ajuda do Congresso, condicionada para as duas primeiras, de US$ 17,4 bilhões para escapar da falência.

A crise de crédito teve efeitos arrasadores para as indústrias de Detroit --a "capital da indústria automotiva mundial--, em um contexto em que os bancos não querem emprestar dinheiros para os consumidores. A indústria também é castigada por produzir veículos de elevado consumo de combustível, em tempos de altos preços do petróleo (neste ano, o barril chegou a atingir US$ 147 em Nova York).

General Motors e Chrysler advertiram que poderiam quebrar no início do próximo ano se não recebessem ajuda estatal, ante a reticência dos políticos americanos em acudir o setor, que de todas as formas pode estar condenado pela competição estrangeira.

Mesmo depois da decisão de Washington em socorrer a indústria, que emprega um a cada dez trabalhadores dos Estados Unidos, um analista da agência de classificação de risco Standard & Poor's disse que "a quebra de um dos fabricantes continua possível".

Os problemas das montadoras não serão resolvidos de um dia para o outro, porque continuarão a sofrer os efeitos da queda da demanda no mundo.

"Será difícil encontrar uma região do mundo que não esteja sob forte pressão", disse Lemos Stein.

Na Europa, como na Ásia, os fabricantes devem recorrer às férias forçadas ante uma baixa das vendas que tem superado os 40% em muitos países durante os últimos meses.

Na França, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou recursos de 1.000 euros para os compradores de veículos novos para estimular a renovação dos estoques de carros.

Países emergentes não passaram ilesos pelos reflexos da crise no mercado automotivo --nem sequer o Brasil e a China, onde o crescimento alcançou entre 20% e 30% nos últimos anos e onde o número de novos emplacamentos caiu 10% em dezembro.

"Ainda não tocamos o fundo. As más notícias continuam chegando", disse Rebecca Lindland, analista da Global Insight, que não espera uma normalização da atividade antes de 2010.

"A Europa está em fase de início de recessão e os mercados emergentes seguem desacelerando e não se sabe quando esse processo será contido", afirmou.

A crise supõe uma redistribuição do mercado em todo o mundo. A Toyota está a ponto de se tornar a número 1 do setor, superando a GM, enquanto que a Volkswagen já deslocou a Ford ao terceiro lugar na classificação.

Como sinal dos tempos, a Ford teve que vender as renomadas marcas britânicas Jaguar e Land Rover ao grupo indiano Tata e pode desfazer-se da sueca Volvo. Já a GM estuda a venda da Saab.

Mas as dificuldades financeiras emperram o jogo: a GM renunciou à fusão com a Chrysler e, na Alemanha, a Porsche teve que fazer o mesmo em relação à Volks. Estes mesmos problemas de recursos ameaçam frear o avanço em direção a modelos mais econômicos em combustíveis.

Na Ásia, a Toyota chegou a advertir, em novembro, que seus ganhos devem cair neste ano ao nível mais baixo em nove anos, enquanto a Honda e a Nissan preparam um comunicado similar a seus investidores, como também já fez a alemã BMW.

Comentários dos leitores
Chris Maria (236) 22/11/2009 11h08
Chris Maria (236) 22/11/2009 11h08
É certo que em vários aspectos Obama não tem conseguido furar o bloqueio e seguir em frente com seus nobres ideais. Isto, devido as fortes pressões que vem sofrendo de certas "fontes de poder" que movidas pela ganância, só enxergam o próprio umbigo. No entanto, no que se refere aos aspectos econômicos, cabe lembrar que não foi ele o responsável pela derrocada econômico-financeira. Aliás, para quem assumiu os EUA num colapso financeiro total, o seu governo está indo além das expectativas. Sabe-se bem que o governo americano se viu obrigado a intervir com altas cifras no mercado, socorrendo empresas e criando projetos públicos na tentativa de manter parte dos postos de trabalho, sem o que o cenário estaria ainda bem pior. Isso acarretou aumento do déficit público. Com a zona do euro com uma taxa de desemprego devendo chegar a 10,9% até o final de 2010. O Japão com uma estimativa de 5,7% no quarto trimestre deste ano, passando a declinar apenas a partir daí, mas, em ritmo lento, e assim por diante... Aos norte-americanos, só lhes resta ter paciência. Eles queriam o quê? Por terem consumido mais do que deviam e podiam, arrastaram a economia mundial pro buraco com seus títulos podres. Quanto ao fato dos "críticos comentarem" que "Obama não conseguiu obter concessões significativas em comércio e moedas de parceiros como a China". Neste último caso, por exemplo, também é bom lembrar que quando Bush deixou o governo, a China já era a maior detentora de títulos da dívida norte-americana e aos EUA lhes resta "dançar conforme a música". sem opinião
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Eduardo Giorgini (415) 21/11/2009 21h43
Eduardo Giorgini (415) 21/11/2009 21h43
"Obama pede paciência aos americanos na questão econômica"
Eleitorado Norte-Americano é exigente. Quase 1 ano de Obama e a popularidade esta caindo e nem precisou se envolver em escandalos de corrupção.
Parabéns aos Norte-Americanos.
[]s
Eduardo.
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Domingos Aparecido (135) 21/11/2009 09h56
Domingos Aparecido (135) 21/11/2009 09h56
RESPOSTA AO SR. CARLOS JOSÉ DOS SANTOS.
Prezado Companheiro virtual, vou fazer uma confissão: Sou Corinthiano há 60 anos, fico alegre quando o Ronaldo faz um gol, mais senti uma alegria maior ainda ao ler o seu comentário sobre esse famigerado FMI. Só acho que faltou você acrescentar em seu comentário que, hoje o Brasil tem mais de 20 milhões de pessoas (segundo o Reporter Record) morando em "CORTIÇOS" e nunca se viu na história deste país, a quantidade tão grande de vendas de carros de luxo, mansões, iates, etc. como estamos tendo agora.
Está escrito: 1Jo 2:15 - Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Maranata.
sem opinião
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