Vendas de fim de ano no varejo nos EUA caem ao menos 5,5%
da Folha Online
As vendas na temporada de compras de fim de ano nos EUA tiveram uma queda entre 5,5% e 8% em 2008, na comparação com 2007, segundo dados preliminares levantados pela SpendingPulse, divisão da MasterCard Advisors que compila dados de compras pagas com cartões de crédito e cheques.
Excluídas as vendas de automóveis e gasolina das compras feitas entre 1º de novembro --um sábado, já dentro do feriado prolongado do Dia de Ação de Graças-- e 24 de dezembro --véspera do Natal--, as vendas no varejo tiveram queda de 2% a 4%, segundo o levantamento.
Os dados da SpendingPulse mostram que as vendas de alimentos tiveram desempenho positivo, enquanto as de roupas --em particular de marcas mais caras-- tiveram um resultado fraco. As vendas de roupas femininas caíram 22,7%, enquanto as de roupas masculinas caíram 14,3%. As vendas de calçados caíram 13,5% (a empresa não divulgou dados diferenciados para calçados femininos ou masculinos).
As vendas de artigos de luxo caíram 35% --a SpendingPulse classifica nessa categoria jóias, roupas e artigos de couro situados na faixa que reúne os preços mais altos. As vendas de produtos eletrônicos e eletrodomésticos caíram 26,7%.
Em um outro levantamento, feito pelo ICSC (Conselho Internacional de Shopping Centers, na sigla em inglês), a previsão é de uma queda de 1,5% a 2% neste ano nos EUA, na comparação com o fim de 2007. Nesse levantamento o resultado, se confirmado, será o pior desde 1969. O resultado oficial deve ser anunciado em 8 de janeiro.
Contração
Segundo analistas, a situação crítica do mercado de trabalho e as nevascas no país ou impediram os consumidores de ir às lojas ou simplesmente fizeram com que mantivessem as carteiras fechadas.
No mês passado, o mercado de trabalho perdeu 533 mil vagas e a taxa de desemprego subiu para 6,7%, a maior dos dois mandatos do presidente americano, George W. Bush. Os gastos do consumidor já refletiram essa situação crítica no mês passado, com uma queda de 0,6% --a queda de novembro completou cinco meses de contração, a maior seqüência de perdas desde o início da pesquisa feita pelo Departamento do Trabalho, em 1959.
Reino Unido
A crise ameaça também o varejo britânico. O BRC (Consórcio Britânico do Varejo, na sigla em inglês) informou nesta semana que as vendas no varejo no Reino Unido em dezembro deverão apresentar um resultado fraco. "Teremos os resultados do mês em algumas semanas, e não serão bonitos", disse o diretor-geral do BRC, Stephen Robertson, em um comunicado.
"Apesar da corrida de última hora, está ficando claro que, no geral, esse foi um Natal fraco para os varejistas, enquanto os consumidores cortam gastos e diminuem os negócios", diz o comunicado.
Algumas redes já iniciaram nesta quinta-feira suas vendas com descontos pela internet. Robertson disse, no entanto, que grandes ofertas e competição mais acirrada podem tornar os lucros dos varejistas ainda mais magros. "Descontos e promoções em escala sem precedentes, combinados com vendas fracas, colocam as margens [de lucros] sob tremenda pressão", afirmou.
O relatório da BRC com os resultados de dezembro deve ser divulgado no dia 13 de janeiro.
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