Meirelles diz a Lula que BC reduzirá juros
da Folha Online
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, prometeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vai reduzir em janeiro a taxa básica de juros (Selic), segundo reportagem de Kennedy Alencar na edição da Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
"Em tom duro, dizendo-se bastante contrariado com a última decisão do Copom, Lula cobrou explicações de Meirelles para não reduzir os juros, como era esperado pelo Palácio do Planalto", diz o texto.
"Na conversa com o presidente da República, Meirelles apresentou tabelas para mostrar que a chamada curva futura dos juros caiu após a decisão do BC de manter a Selic inalterada. Trocando em miúdos: segundo o presidente do BC, o mercado reduziu sua previsão de juros futuros porque o BC foi duro e sinalizou a manutenção da autonomia operacional dada por Lula à instituição."
No último dia 18, Meirelles disse que o crescimento da economia brasileira nos últimos anos mostra que a autoridade monetária não pode ser acusada de estar errando na administração da taxa básica de juros. Segundo ele, embora os juros estejam em um patamar acima da média mundial, o crescimento da demanda doméstica e o consumo das famílias segue em alta, acima do registrado em outros países.
"Que nominalmente está acima da taxa mundial, não há dúvida. Que há um desejo que isso caia, não há dúvida. A questão é saber se foi adequada, se ela se refletiu em estabilização e maior crescimento da economia", afirmou, em uma audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
Para Meirelles, boa parte do problema gerado pela crise internacional está ligada a questões de liquidez (falta de dinheiro para crédito) e não à taxa básica de juros. Com isso, o problema fica concentrado no "spread" bancário --diferença entre os juros básicos e valor cobrado nos bancos.
"Há uma separação entre a questão da liquidez e a política monetária. O que está se fazendo nesse momento é para que o spread bancário e a oferta de crédito retornem à normalidade. Isso é o que está afetando a economia brasileira nesse momento", disse.
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