Ucrânia admite que confiscará parte do gás russo destinado à UE
da Folha Online
A estatal ucraniana Naftogaz reconheceu nesta quinta-feira que confiscará parte do gás que a gigante russa Gazprom fornece à Europa por meio dos gasodutos ucranianos.
"O volume de que necessitamos para custear a passagem [do gás] é de 21 milhões de metros cúbicos diários", afirmou Oleg Dubina, presidente da Naftogaz, em entrevista coletiva.
A estatal ucraniana alega que se vê obrigada a confiscar essa quantidade devido à falta de acordo com a Gazprom sobre as tarifas cobradas pelo transporte do insumo pelo território ucraniano. A Ucrânia quer aumentar essas taxas de US$ 1,70 a cada 1.000 metros cúbicos para US$ 1,80. Moscou, por sua vez, argumenta que o convênio bilateral assinado em 2006 não pode ser alterado até que expire, em 2011.
Além disso, as duas partes discutem o aumento do preço do gás para os ucranianos. Até ontem a Ucrânia pagava US$ 179,5 a cada 1.000 metros cúbicos de gás. A Gazprom quer que o preço suba para US$ 250, enquanto a Naftogaz propõe pagar US$ 235.
Apesar de tudo, o confisco diário desses 21 milhões de metros cúbicos não deve comprometer o fornecimento russo de gás, já que hoje a Gazprom aumentou em 20 milhões o bombeamento com destino à Europa.
Sobre a conduta da Naftogaz, o porta-voz da Gazprom, Serguei Kuprianov, afirmou nesta quinta-feira que a companhia russa confirmará amanhã se a estatal ucraniana confiscou ou não parte do gás russo destinado aos consumidores europeus.
Para o presidente da Ucrânia, Viktor Yuschenko, estimou por sua vez que o preço do gás russo para a Ucrânia em 2009 deveria ficar entre "US$ 204 e US$ 210".
Se o preço do gás russo chegar a US$ 250 --o que representaria um aumento de 30% em relação ao preço praticado em 2008--, a tarifa de trânsito também deveria aumentar na mesma proporção, ou seja, chegando a US$ 2 ou US$ 2,20, afirmou Yuschenko em uma declaração divulgada por sua assessoria de imprensa.
Com Efe e France Presse
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