Países da UE estudarão amanhã posição conjunta sobre crise do gás
da Efe, em Bruxelas
Os países da UE (União Europeia) tentarão estabelecer amanhã uma posição conjunta sobre o conflito do gás natural entre Rússia e Ucrânia, que começou a afetar alguns países comunitários, reduzindo suas reservas.
"Queremos uma resposta européia coordenada", disseram fontes da Presidência tcheca de turno, que convocou a reunião, à agência de notícias Efe.
Os embaixadores-adjuntos dos 27 países estudarão todos os elementos da situação causada pela decisão da companhia de gás russa Gazprom de suspender os envios à Ucrânia na quinta-feira, dia 1º, devido a um impasse sobre seu preço.
Entre esses elementos, estão os pedidos da Rússia e da Ucrânia para que a UE intermedeie nesta nova disputa --embora os 27, até agora, estejam reticentes em entrar no conflito. Além disso, na reunião de amanhã, a UE pode decidir pelo o envio de uma missão de investigação à Ucrânia e à Rússia, segundo indicou outra fonte diplomática.
Vários países europeus, tanto do leste quanto da área central do continente, informaram sobre reduções nas remessas de gás natural russo que passa pela Ucrânia.
O presidente da Gazprom, Alexei Miller, denunciou no sábado que países como a Hungria, Eslováquia, Romênia, Polônia, os países bálticos e alguns balcânicos, já registram reduções, segundo ele, devido a "subtrações ilegais de gás em território da Ucrânia".
Por outra parte, na próxima sexta-feira se reunirá em Bruxelas o Grupo de Coordenação do Gás, formado por analistas dos Governos da UE, da Comissão Européia e do setor energético.
A Presidência tcheca da UE pediu ontem a Rússia e Ucrânia que resolvam o mais rápido possível seu conflito, após uma reunião do vice-primeiro-ministro tcheco e responsável de Assuntos Europeus, Aleksandr Vondra, com o subdiretor-geral da Gazprom, Aleksandr Medvedev.
Através da Ucrânia passa 80% do gás que a Gazprom vende à Europa, enquanto o resto transita por território bielorrusso.
Entenda
A Gazprom cortou na quinta-feira o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.
A empresa russa pede o "preço europeu" de US$ 418 por 1.000 metros cúbicos de gás para a Ucrânia, já que esta última recusou a proposta russa de tarifa reduzida de US$ 250. Já a Naftogaz se disse disposta a pagar US$ 235 e pedia uma alta de US$ 1,7 a US$ 1,8 do preço do trânsito de 1.000 metros cúbicos de gás em 100 km do território da Ucrânia.
Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou.
Então a Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.
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