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Dinheiro
05/01/2009 - 14h30

Premiê russo ordena novos cortes de gás enviado através da Ucrânia

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da France Presse
da Folha Online

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ordenou nesta segunda-feira à estatal Gazprom que corte imediatamente o gás enviado através da Ucrânia à Europa, em resposta às retenções ilegais de gás das quais o governo da Rússia acusa o governo ucraniano.

"Comecem a reduzir a partir de hoje", afirmou Putin a Alexei Miller, presidente da Gazprom, depois que este anunciou um plano para diminuir os volumes de gás natural enviado através da Ucrânia em totais equivalentes aos que Moscou acusa Kiev de roubar.

O vice-presidente da Gazprom, Aleksandr Medvedev, afirmou hoje que a Ucrânia roubou ontem 50 milhões de metros cúbicos de gás dos gasodutos que atravessam o seu subsolo. "Temos informações segundo as quais este gás já não está nos depósitos subterrâneos", mas está sendo "usado pelos ucranianos para seu consumo interno", declarou o vice-presidente da Gazprom.

Uma delegação da UE chegará hoje à tarde a Kiev, onde discutirá amanhã com as autoridades ucranianas a crise do gás entre Ucrânia e Rússia e suas consequências para o fornecimento do combustível russo aos consumidores do bloco.

Entenda

A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações na quarta-feira passada, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

Ontem, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.

Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou.

Então a Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.

 

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