Governo deve renegociar dívidas agrícolas e liberar R$ 2 bi para cooperativas
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O governo federal estuda novas medidas de ajuda ao setor agrícola que devem resultar em renegociação de dívidas e mais liberações de crédito.
O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse hoje que está negociando com o Ministério da Fazenda a liberação de pelo menos R$ 2 bilhões de crédito para capital de giro das cooperativas agrícolas.
"Há uma necessidade de melhorar as condições de capital de giro das cooperativas, que é uma forma de dar melhores condições para comercialização da safra. A gente já está conversando sobre o assunto e vai ser necessário resolver isso dentro de 30, 60 ou 90 dias", afirmou o ministro.
Outro problema que está sendo discutido é a dificuldade em concluir o cálculo das dívidas agrícolas que fazem parte do processo de renegociação realizado no ano passado pelo governo.
Segundo o ministro, os bancos não conseguiram concluir o processo até o final do ano passado. Com isso, muitos produtores passarão a ser considerados inadimplentes a partir deste ano e não terão como buscar crédito para a próxima safra.
"A operacionalização da reestruturação da dívida se tornou muito difícil e os bancos não conseguiram cumprir o prazo. Automaticamente, isso torna o agricultor inadimplente, embora a culpa não seja dele. Por isso, é importante buscar uma alternativa", afirmou.
Em maio do ano passado, o governo anunciou a edição de uma medida provisória que possibilitaria a regularização de 2,8 milhões de contratos de crédito rural. Isso representa um saldo devedor de R$ 75 bilhões, cerca de 85% do estoque total da dívida agrícola, calculada em R$ 87,5 bilhões na época.
Também estão sendo discutidas medidas adicionais em relação aos cafeicultores. Nesse caso, além do problema em relação à renegociação das dívidas, há uma preocupação do governo em relação à falta de renda para garantir a safra.
"Eles estão demonstrando incapacidade financeira de pagar [as dívidas], porque o preço do café é menor do que era dois anos atrás e o custo de produção nesse período aumentou muito."
Stephanes não adiantou quais as medidas que estão sendo estudadas nesse caso, mas afirmou que é importante iniciar as discussões dentro do governo para resolver esses problemas.
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