Fornecimento de gás russo à Áustria cai em 90%
da Efe
O fornecimento de gás russo à Áustria diminuiu hoje em 90%, mas, por enquanto, o abastecimento está "garantido nas condições atuais" climáticas e de níveis de consumo, informou a companhia de gás e petróleo OMV.
Apesar desta "limitação significativa" do gás natural procedente da Rússia, o volume de gás que falta está sendo compensado pelas reservas armazenadas na república alpina, acrescentou a empresa.
A EconGas, filial da OMV, armazenou 1,7 bilhão de metros cúbicos de gás natural como reserva, um volume que deve conseguir compensar a redução existente das importações russas durante três meses.
Do gás consumido na Áustria, 51% provém da Rússia, 31% são importados da Noruega e outros países, enquanto 18% são da produção nacional.
A Rússia anunciou ontem que reduziria o volume de gás natural exportado para a Europa na mesma quantidade em que a Ucrânia desviaria para compensar o corte de fornecimento imposto por Moscou a Kiev, devido à disputa sobre as tarifas entre os ucranianos e o gigante russo Gazprom.
Ontem, a parte russa informou à OMV que reduziria entre 30% e 40% as exportações à Áustria, mas na manhã de hoje o país estava recebendo apenas 10% da quantidade normal de gás natural russo.
Um comitê de crise da autoridade de regulação E-Control está reunido hoje em Viena (Áustria) para analisar e vigiar a situação, informou a agência austríaca APA.
Entenda
A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.
Antes de romper as negociações na quarta-feira passada, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.
Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.
Ontem, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.
Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou.
Então a Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.
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