Dinheiro
06/01/2009 - 11h04

Petróleo passa de US$ 50 com ofensiva militar em Gaza e disputa sobre gás natural

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da Folha Online

O preço do petróleo passou da marca de US$ 50 nesta terça-feira. A tensão no Oriente Médio cresce desde o fim do ano passado, devido à ação militar de Israel na faixa de Gaza, contra o Hamas. O temor dos investidores é que países produtores da região venham a retaliar contra os países que apoiarem israel através de interrupções de fornecimento. Além disso, a disputa entre Rússia e Ucrânia sobre gás natural também preocupa o mercado petrolífero.

Às 10h47 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em fevereiro, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), estava cotado a US$ 49,97, em alta de 2,38%. Pouco antes, o preço chegou a US$ 50,47. O valor mínimo até o horário era de US$ 47,60.

O conflito em Gaza não afeta diretamente o fornecimento de petróleo, mas países da região, como o Irã, podem decidir dificultar o fornecimento como forma de atingir os países que venham a apoiar Israel. No domingo (4), o general iraniano Mirfeysal Bagherzadeh sugeriu que os países muçulmanos cortem o fornecimento de petróleo aos países que apóiam Israel, em represália pelos ataque contra a faixa de Gaza.

"O petróleo pode servir como um fator potente para pressionar os Estados Unidos e os países europeus que apóiam o regime sionista", afirmou o chefe militar iraniano. Ele acrescentou que a decisão de cortar o petróleo a essas nações "pode ser uma das táticas do mundo islâmico para apoiar os inocentes palestinos [sem especificar se falava apenas da população civil ou se incluía os integrantes do Hamas]" na "guerra desigual" de Gaza.

O Irã é o segundo maior produtor entre os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), depois da Arábia Saudita.

Hoje também a União Européia (UE) exigiu o restabelecimento imediato do fornecimento de gás a partir da Rússia, depois que vários países europeus registraram cortes expressivos em seu abastecimento. A situação é "completamente inaceitável", afirmaram a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) e a Presidência do bloco --ocupada pela República Tcheca--, em comunicado conjunto.

A empresa estatal ucraniana Naftogaz informou nesta terça-feira que a companhia russa Gazprom reduziu para um terço o bombeamento de gás à Europa através do território da Ucrânia. O governo russo acusa o país vizinho de reter gás ilegalmente.

A Gazprom cortou na quinta-feira (1º) o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações na quarta-feira passada, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso. Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

 

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