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Dinheiro
06/01/2009 - 11h43

Ucrânia anuncia que voltará a negociar com a Gazprom na quinta-feira

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da Folha Online
da Efe, em Kiev

O presidente da empresa estatal ucraniana Naftogaz, Oleg Dubina, anunciou nesta terça-feira que retomará na próxima quinta-feira (8) as negociações com o consórcio russo Gazprom sobre o fornecimento e o trânsito de gás.

"Falei com [o presidente da Gazprom, Alexei] Miller. No dia 8, vôo a Moscou para continuar ali as conversas", disse Dubina, em entrevista coletiva.

Horas antes, as autoridades ucranianas asseguraram à UE (União Europeia) que estão fazendo o possível para normalizar o trânsito do gás russo aos consumidores europeus.

Em reunião com uma delegação da UE liderada pelo ministro da Indústria e Comércio da República Tcheca, Martin Rimam, o chefe adjunto do Secretariado da Presidência ucraniana, Oleksandr Shlapak, disse que as partes envolvidas podem "encontrar uma saída" para o problema. No entanto, acrescentou que, 'não há documentos jurídicos que definam claramente as obrigações tanto da parte russa quanto da ucraniana sobre o fornecimento de gás à Ucrânia, assim como sobre seu trânsito para a Europa".

A possível volta das negociações acontece quando vários países da Europa já sofrem fortes reduções e até mesmo o corte total do fornecimento do gás russo. O problema se torna mais grave devido à queda da temperatura em todo o continente --o gás é um dos principais combustíveis usados no aquecimento de residências.

Países como Alemanha, Áustria, República Tcheca, Polônia, Bulgária, Eslováquia, Hungria, Romênia, Croácia, Macedônia, Grécia e Turquia já anunciaram que tiveram cortes no recebimento do gás. Em cinco deles --Croácia, Bulgária, Grécia, Turquia e Macedônia-- o corte é total.

Todos esses países se viram hoje obrigados a recorrer de suas reservas para compensar os cortes de abastecimento.

Como o problema começa a atingir efetivamente os países-membros, a UE exigiu hoje o restabelecimento imediato do fornecimento de gás.

A situação é "completamente inaceitável", afirmaram a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) e a Presidência do bloco --ocupada pela República Tcheca--, em comunicado conjunto divulgado hoje. Os cortes de abastecimento ocorreram sem aviso prévio e "em clara contradição" com as garantias dadas pelas máximas autoridades russas e ucranianas de que suas tensões bilaterais não afetariam o fornecimento à União Europeia.

A UE insistiu à Rússia e à Ucrânia que concluam suas negociações de maneira definitiva e resolvam sua disputa comercial bilateral.

Em entrevista coletiva em Praga, o vice-presidente do Governo tcheco para Assuntos Europeus, Alexander Vondra, apelou a Moscou e a Kiev a "resolver esta semana" sua disputa. "Estas crises periódicas não são aceitáveis no mundo civilizado", disse Vondra, que advertiu à Rússia que "fechar o fornecimento não é o caminho de resolver a disputa."

"Não podemos ficar seqüestrados pelos russos ou por algum país de passagem", disse o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, na mesma entrevista coletiva onde falou do programa da Presidência semestral da UE assumida por seu país em 1º de janeiro.

Entenda

A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

No domingo, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.

Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou. A Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.

 

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