Produção industrial perde força e deve fechar 2008 com crescimento abaixo dos 5%
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Prejudicada pelo agravamento da crise financeira mundial, a produção industrial brasileira perde força desde outubro e tem boas chances de fechar o ano com crescimento inferior a 5%, diferentemente do que apontavam analistas antes do quadro econômico se agravar. No acumulado do ano, a indústria acumula alta de 4,7%. Antes da crise, o crescimento, de janeiro a setembro, era de 6,4%.
Para dezembro, as perspectivas não são nada animadoras. A mais recente sondagem da indústria feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta que os níveis de estoques estão subindo. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) constatou redução de 5,6% na carga de energia que circulou no sistema em dezembro.
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A consultoria LCA estima que a produção industrial será 1,7% inferior ao constatado em novembro, o que faria a indústria fechar 2008 com aceleração de 4%. Em 2007, a indústria teve alta de 6%. O coordenador de Indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Silvio Sales, lembrou que, historicamente, a produção de dezembro é inferior a de novembro.
Setor que mais vem sendo afetado pela crise, a produção de veículos automotores ainda lidera a indústria em 2008, com incremento acumulado de 12,6%. Desde setembro, no entanto, o crescimento acumulado do setor perdeu 5 p.p. (pontos percentuais).
Único segmento da indústria que registrou alta (3,6%) na comparação com novembro de 2007, bens de capital teve o resultado influenciado pela alta de 39,1% dessa produção voltada para transporte. A produção de bens de capital para a agricultura teve alta de 13,6%.
Em sentido inverso, a produção de máquinas e equipamentos para fins industriais, que reflete os investimentos de longo prazo na cadeia, caíram 10,9%, acompanhados das máquinas para construção (-8%) e para uso misto (-20,1%).
Ainda na comparação com novembro de 2007, entre os bens duráveis, as quedas mais significativas foram observadas nas produções de automóveis (-34,2%), eletrodomésticos (-12,9%) e telefones celulares (-4,6%).
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