Dinheiro
06/01/2009 - 14h07

Gazprom aceitar iniciar negociações "a qualquer momento" com a Ucrânia

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da Folha Online
da Efe, em Moscou

O porta-voz da Gazprom, Serguei Kuprianov, afirmou nesta terça-feira que a empresa russa está disposta a retomar as conversas com estatal ucraniana Naftogaz "a qualquer momento" para resolver a questão do fornecimento de gás para a Ucrânia e restabelecer o envio do combustível para a Europa.

"As declarações sobre o propósito de retomar as negociações só em 8 de janeiro nos surpreendem. Nós estamos dispostos a começar negociações a qualquer momento, em vista da situação de crise", disse Kuprianov. Acrescentou que a "situação é grave demais para esperar mais dois dias."

O porta-voz da Gazprom fez estas afirmações pouco depois que o presidente da Naftogaz, Oleg Dubina, anunciar que viajará a Moscou na próxima quinta-feira para retomar as negociações com o consórcio russo sobre o fornecimento e o trânsito de gás.

"Falei com [o presidente da Gazprom, Alexei] Miller. No dia 8, vou a Moscou para continuar ali as conversas", disse Dubina, em entrevista coletiva. Horas antes, as autoridades ucranianas asseguraram à UE (União Europeia) que estão fazendo o possível para normalizar o trânsito do gás russo aos consumidores europeus.

Antes, a Presidência da UE (União Europeia) --nas mãos da República Tcheca-- tinha advertido à Rússia e à Ucrânia de que a crise de abastecimento de gás natural à Europa criada pela disputa comercial entre os dois países deve ser superada esta semana.

A situação é "completamente inaceitável", afirmaram a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) e a Presidência do bloco em comunicado conjunto. Os cortes de abastecimento ocorreram sem aviso prévio e "em clara contradição" com as garantias dadas pelas máximas autoridades russas e ucranianas de que suas tensões bilaterais não afetariam o fornecimento à União Europeia.

Desabastecimento

A possível volta das negociações acontece quando vários países da Europa já sofrem fortes reduções e até mesmo o corte total do fornecimento do gás russo. O problema se torna mais grave devido à queda da temperatura em todo o continente --o gás é um dos principais combustíveis usados no aquecimento de residências.

Países como Alemanha, Áustria, Bósnia, República Tcheca, Polônia, Bulgária, Eslováquia, Hungria, Romênia, Croácia, Macedônia, Grécia e Turquia já anunciaram que tiveram cortes no recebimento do gás. Em cinco deles --Croácia, Bulgária, Grécia, Turquia e Macedônia-- o corte é total.

Todos esses países se viram hoje obrigados a recorrer de suas reservas para compensar os cortes de abastecimento.

Kuprianov disse que a Gazprom fornecerá hoje através da Ucrânia um total de 64,7 milhões de metros cúbicos de gás natural para os consumidores europeus.

Explicou que o volume de combustível contratado para hoje pelos países europeus é de 130 milhões de metros cúbicos, dos quais a Ucrânia deverá fornecer de seu próprios depósitos 65,3 milhões, pois essa quantidade de gás é a que os ucranianos teriam subtraído ilegalmente das exportações russas com destino à Europa. "A culpa pela situação criada é da parte ucraniana", enfatizou o porta-voz da Gazprom.

Entenda

A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

No domingo, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.

Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou. A Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.

 

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