Chile anuncia plano de reativação econômica de US$ 4 bilhões
da France Presse, em Santiago
O Chile anunciou um plano de reativação econômica de US$ 4 bilhões, tendo como objetivo gerar cerca de 100.000 empregos e fazer a economia crescer entre 2% e 3% em 2009. É o maior pacote anticrise já aprovado no país, que começa a sentir os efeitos da recessão mundial.
O projeto milionário, anunciado pela presidente chilena, Michelle Bachelet, vem pouco depois de o Banco Central do país ter informado sobre a estagnação virtual da economia em novembro de 2008, quando o crescimento ficou em 0,1% --sua menor expansão em cinco anos.
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No mesmo mês, a produção industrial caiu 5,7%, enquanto a produção de cobre --motor do crescimento chileno-- diminuiu 6,4%.
Diante deste cenário, o governo antecipou o anúncio do maior plano de reativação já organizado no Chile, cujos fundos virão de uma poupança acumulada até setembro de 2008 com os lucros do cobre (o Chile é o maior exportador mundial do metal).
Em mensagem ao país, a presidente Bachelet indicou uma injeção de recursos da ordem de US$ 4 bilhões, o equivalente a 2,8% do PIB (Produto Interno Bruto) chileno. A governante explicou que o plano visa à criação de 100.000 empregos, além de um crescimento econômico entre 2% e 3% em 2009.
O pacote inclui 11 medidas, entre elas um aporte considerável de US$ 700 milhões para a construção de obras públicas e a entrega, em março, de um bônus de US$ 63 para 3,5 milhões de chilenos pertencentes à camada mais pobre da população.
O plano de reativação prevê ainda um aumento de capital de US$ 1 bilhão para a mineradora estatal Codelco, maior produtora mundial de cobre --cujo preço despencou nos últimos meses --, e um aporte adicional de US$ 43 milhões para o orçamento dos municípios.
A Codelco, cuja produção responde por 11% do cobre mundial, utilizará os recursos disponibilizados pelo pacote do governo para financiar um plano de investimentos, informou a própria companhia nesta terça-feira.
Além disso, o plano anunciado por Bachelet inclui medidas para reativar o mercado financeiro, como a eliminação de um imposto sobre pedidos de crédito, e para estimular a contratação de desempregados, principalmente jovens.
"Todas essas medidas, de um jeito ou de outro, incentivam a demanda interna. A boa teoria econômica sugere que, quando a demanda externa diminui, é necessário potencializar a demanda interna", explicou o ministro da Fazenda, Andrés Velasco.
No mundo empresarial, o plano de reativação econômica foi aplaudido. "O pacote de medidas do governo é acertado. Compartilhamos o diagnóstico, de que a crise é forte, já produziu bastante desequilíbrio e problemas; o plano se antecipa ao que podem ser os efeitos da crise no país", comentou o presidente da Confederação chilena da Produção e do Comércio, Rafael Guilisasti.
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