Brasil capta US$ 1 bilhão no exterior e paga juros mais altos por causa da crise
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O Tesouro Nacional realizou nesta terça-feira a primeira emissão de títulos da dívida brasileira em dólares desde maio de 2008.
Foram captados US$ 1 bilhão nos mercados norte-americano e europeu, que irão para as reservas internacionais na próxima semana. Os títulos vencem em 15 de janeiro de 2019.
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O país ainda deve obter um crédito adicional de US$ 25 milhões com o lançamento de mais títulos no mercado asiático, na madrugada de quarta-feira.
Para emprestar os recursos, os investidores exigiram uma taxa de juros mais alta, de 6,127% ao ano. É a taxa mais alta para títulos de dez anos desde a emissão realizada em novembro de 2006.
A taxa obtida pelo Brasil está 3,7 pontos percentuais acima do que é pago pelo governo norte-americano, cujos títulos são considerados os mais seguros do mundo para investimento. Em maio, a diferença foi de 1,4 ponto.
Desde 2005, os juros pagos pelo Brasil em emissões com prazo de dez anos vinham recuando, o que se inverteu com a escassez de dinheiro provocada pela crise internacional de crédito.
Nas quatro últimas operações, foram pagos juros de 12,75% ao ano (setembro/2005); 6,249% a.a. (novembro/2006); 5,888% a.a. (abril/2007); e 5,299% a.a. (maio/2008).
A liquidação da operação será no próximo dia 13. Os investidores também vão receber juros de 5,875% ao ano a cada seis meses, nos dias 15 de janeiro e de julho de cada ano até o vencimento. Os títulos foram vendidos por 98,135% do seu valor de face.
Oportunidades
De acordo com o Tesouro Nacional, a captação teve como objetivo melhorar o perfil da dívida pública e não apenas conseguir mais dinheiro. Apesar de ser um momento de crise, foram vendidos todos os títulos ofertados.
A instituição não descarta fazer novas captações no futuro e diz que "o Tesouro está atento a oportunidades" se houver boas condições no mercado.
O Tesouro também diz que a operação "foi positiva" e que ela sinaliza que há crédito disponível para o país. Para o governo, a operação também pode ser uma "porta importante para o setor privado" poder buscar crédito no exterior.
Essa é a terceira captação feita por um país latino-americano desde julho do ano passado, quando o Panamá realizou uma operação desse tipo. Em dezembro, o México lançou papéis pagando uma taxa maior que a do Brasil agora. Hoje, a Colômbia também fez uma emissão, pagando juros maiores em relação ao Brasil.
2008
A última vez em que o governo emitiu títulos no mercado internacional foi no dia 7 de maio do ano passado. Foi a primeira e, até então, única captação em dólares no exterior após o país receber o grau de investimento da agência de classificação de risco Standard & Poor's.
Na época, foram captados US$ 525 milhões com investidores dos EUA, Europa e Ásia, com o título Global 2017. A taxa de juros paga ao investidor ficou em 5,299% ao ano, a mais baixa já oferecida para um título desse prazo pelo país. A demanda pelos títulos superou a oferta.
A emissão de títulos da dívida no mercado internacional pode ter como objetivo reforçar o caixa do governo ou, como tem dito o Tesouro, melhorar o perfil da dívida, substituindo papéis que pagam juros maiores e com prazo mais curto por títulos que sejam mais vantajosos para o governo.
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