Dinheiro
07/01/2009 - 05h58

Ucrânia diz que parou de receber gás russo repassado à Europa

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da Folha Online

A companhia ucraniana Naftogaz informou que a empresa russa Gazprom suspendeu totalmente o envio de gás à Ucrânia para repasse à Europa em mais um episódio da crise do gás que assusta a população que depende do combustível para se aquecer no inverno no continente.

"Às 7h44 (3h44, Brasília) foi suspensa totalmente a provisão de gás através da última estação de bombeamento para a Ucrânia, Sudzha", disse à imprensa o porta-voz da Naftogaz, Valentin Zemliaski. Segundo ele, ao não receber o gás da Rússia, a companhia ucraniana se vê "obrigada a cortar totalmente a provisão de gás à Europa".

Em meio a um impasse comercial em torno dos preços do gás praticados pelos dois países, o governo russo acusa o país vizinho de reter o produto ilegalmente. Na segunda-feira (5), o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ordenou a redução das provisões de gás na fronteira com a Ucrânia no mesmo volume em que o combustível russo foi, segundo ele, "roubado" no país vizinho em seu trânsito rumo aos consumidores europeus.

O vice-presidente da Gazprom, Aleksandr Medvedev, afirmou que a Ucrânia roubou no domingo 50 milhões de metros cúbicos de gás dos gasodutos que atravessam o seu subsolo. "Temos informações segundo as quais este gás já não está nos depósitos subterrâneos", mas está sendo "usado pelos ucranianos para seu consumo interno", declarou o vice-presidente da Gazprom.

A Presidência da UE (União Europeia) --nas mãos da República Tcheca-- tinha advertido à Rússia e à Ucrânia de que a crise de abastecimento de gás natural à Europa criada pela disputa comercial entre os dois países é "completamente inaceitável" e deve ser superada nesta semana.

Vários países da Europa já sofrem fortes reduções e até mesmo o corte total do fornecimento do gás russo. O problema se torna mais grave devido à queda da temperatura em todo o continente --o gás é um dos principais combustíveis usados no aquecimento de residências.

Países como Alemanha, Áustria, Bósnia, República Tcheca, Polônia, Bulgária, Eslováquia, Hungria, Romênia, Croácia, Macedônia, Grécia e Turquia já anunciaram que tiveram cortes no recebimento do gás. Em cinco deles --Croácia, Bulgária, Grécia, Turquia e Macedônia-- o corte é total.

Entenda

A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

No domingo, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.

Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou. A Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.

Com Efe

 

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