Dinheiro
07/01/2009 - 10h27

Europa fica sem gás e Ucrânia exige retomada do fornecimento

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da Folha Online

O fornecimento de gás russo à Europa através da Ucrânia foi totalmente interrompido nesta quarta-feira, devido à guerra comercial entre os dois países. O porta-voz da estatal ucraniana Naftogaz, Valentin Zemliaski, disse que, ao não receber o gás da Rússia, a companhia se vê "obrigada a cortar totalmente a provisão de gás à Europa".

O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, pediu que a Rússia retome de imediato do envio de gás para a Europa por meio da Ucrânia, em uma carta enviada ao presidente russo Dmitri Medvedev e ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

"Considero necessário retomar de imediato o trânsito diário de gás para os países europeus, com os volumes e os destinos de referência em 2008, até que um acordo permita solucionar a divergência comercial entre Rússia e Ucrânia", afirma o presidente Yushchenko em sua carta.

Quase 40% das importações de gás da UE procede da Rússia, o que representa 25% do consumo total de gás do bloco. No total, 80% do gás russo destinado à UE transita pela Ucrânia.

Na segunda-feira (5), o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ordenou a redução das provisões de gás na fronteira com a Ucrânia no mesmo volume em que o combustível russo foi, segundo ele, "roubado" no país vizinho em seu trânsito rumo aos consumidores europeus.

O vice-presidente da Gazprom, Aleksandr Medvedev, afirmou que a Ucrânia roubou no domingo 50 milhões de metros cúbicos de gás dos gasodutos que atravessam o seu subsolo. "Temos informações segundo as quais este gás já não está nos depósitos subterrâneos", mas está sendo "usado pelos ucranianos para seu consumo interno", declarou o vice-presidente da Gazprom.

A Presidência da UE (União Europeia) --nas mãos da República Tcheca-- tinha advertido à Rússia e à Ucrânia de que a crise de abastecimento de gás natural à Europa criada pela disputa comercial entre os dois países é "completamente inaceitável" e deve ser superada nesta semana.

Vários países da Europa já sofrem fortes reduções e até mesmo o corte total do fornecimento do gás russo. O problema se torna mais grave devido à queda da temperatura em todo o continente --o gás é um dos principais combustíveis usados no aquecimento de residências.

Países como Alemanha, Áustria, Bósnia, República Tcheca, Polônia, Bulgária, Eslováquia, Hungria, Romênia, Croácia, Macedônia, Grécia e Turquia já anunciaram que tiveram cortes no recebimento do gás. Em cinco deles --Croácia, Bulgária, Grécia, Turquia e Macedônia-- o corte é total. França e Itália anunciaram quedas no fornecimento de 70% e 90% respectivamente.

Segundo especialistas, no entanto, o impacto imediato para os consumidores europeus será moderado porque a maioria dos países armazena gás natural desde os cortes ocorridos em 2006 durante um conflito entre Rússia e Ucrânia.

Entenda

A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

No domingo, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.

Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou. A Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.

Com informações da agência de notícias France Presse

 

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