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Dinheiro
07/01/2009 - 12h46

Com crise, venda de vinho do Porto em 2008 é a pior em duas décadas

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da Lusa, no Porto

As vendas de vinho do Porto registraram em 2008 o pior desempenho das últimas duas décadas, caindo 5%, o que leva o setor a reclamar ao governo alterações legislativas que permitam "enfrentar a crise" com mais "flexibilidade".

Em declarações à Agência Lusa, a diretora da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) afirmou que não se pretende alterar "os pilares fundamentais" do setor, como a Lei do Terço ou do Benefício, mas "algumas regras deverão ser simplificadas", até porque "a legislação [em vigor] é muito antiga".

O objetivo é, num contexto mundial de crise de consumo que penaliza muito um setor altamente exportador como o vinho do Porto, "dar-lhe mais flexibilidade para enfrentar a crise, quer a nível do comércio, quer da produção", disse Isabel Marrana.

Apesar de os dados não serem ainda definitivos, a AEVP aponta para uma quebra na ordem dos 5% nas vendas de vinho do Porto, que se segue a um "ciclo de progresso extraordinário" nos últimos anos.

Em 2007, as vendas do setor haviam ultrapassado os 400 milhões de euros e os 10 milhões de caixas de nove litros.

Apesar de a comercialização dos vinhos do Douro ter aumentado, o fato de se tratarem de valores absolutos são largamente inferiores ao vinho do Porto, não foi suficiente para compensar o recuo registrado por este último.

Pelo lado positivo, em 2008 Isabel Marrana destaca a capacidade do vinho do Porto em manter "um reconhecimento e qualidade extraordinários no mundo inteiro", como provam os diversos prêmios internacionais conquistados.

"O investimento produtivo [no setor] aumentou e há uma maior qualidade na forma de produzir e elaborar o vinho", citou.

Apontado como estratégico, o mercado dos EUA não teve no ano passado o desempenho esperado, "devido à crise", mas continuará a ser uma grande aposta da AEVP.

Penalizando as exportações tanto para este mercado como para o Reino Unido, estiveram em 2008 os "problemas cambiais", agravados pelo fato de o vinho do Porto ser um produto cujas vendas estão ainda muito concentradas em determinadas ocasiões, como o Natal, e o 3º trimestre do ano ter sido dos mais difíceis.

Para Isabel Marrana, apesar de esta pior performance ser atribuível ao "contexto mundial de crise", há que "fazer uma reflexão", "repensar a eficácia de estratégias" e 'eliminar desperdícios".

O objetivo é assegurar vendas 'a níveis aceitáveis" durante a crise, assim como "manter o produto na sua notoriedade e qualidade".

Em relação ao estudo estratégico para o setor dos vinhos do Porto e Douro, elaborado pelo consórcio Quartenaire/Universidade Católica, a diretora da AEVP acredita que será para dar início já este ano.

A Região Demarcada do Douro é a principal região vinícola do país, responsável por cerca de 80% das exportações dos vinhos portugueses, ao exportar 85% da produção.

 

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