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Dinheiro
09/01/2009 - 08h16

Ucrânia espera melhora nas relações com Rússia sobre gás

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da Efe
da Folha Online

O Ministério de Assuntos Exteriores da Ucrânia expressou nesta sexta-feira a expectativa de que o reatamento das conversas com a Rússia permita, em breve, o estabelecimento de um "mecanismo transparente e previsível de fornecimento de gás natural aos consumidores europeus".

Ao mesmo tempo, o ministério atribuiu ao governo russo toda a responsabilidade pelo corte do envio de gás natural à Europa através de território ucraniano, por onde passam cerca de 80% das exportações russas.

O comunicado do ministério diz que a Ucrânia é consciente de sua responsabilidade de garantir o trânsito ininterrupto do gás por seu território, mas chama a atenção sobre o fato de que "a parte russa, que cortou totalmente o envio, não permitiu que o combustível chegasse aos consumidores".

O documento, no entanto, destaca a disposição de representantes da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia (UE) de viajar à Ucrânia e à Rússia para receber informação objetiva sobre o assunto.

Ontem, a UE anunciou que a Gazprom rejeitou um acordo que já tinha alcançado com a Ucrânia para o envio de observadores europeus que controlariam o fornecimento de gás para a Europa.

"Os russos não têm nenhuma razão para rejeitar esta proposta", afirmou o ministro de Indústria e Comércio tcheco, Martin Rimam. A principal razão para o desacordo é a exigência da Gazprom de que haja observadores russos na Ucrânia, segundo o comissário europeu de Energia, Andris Piebalgs. Ele acrescentou que este ponto deve ser resolvido de forma bilateral entre Kiev e Moscou, sem intervenção da UE.

Entenda

A Gazprom cortou na quinta-feira passada o fornecimento de gás natural para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto.

Antes de romper as negociações, Moscou propunha à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008, aceitando, no máximo, seu aumento até US$ 235 dólares, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos.

No domingo, a Gazprom anunciou que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos, a tarifa mais alta imposta até agora ao país vizinho. Segundo o presidente da Gazprom, Alexei Miller, esta tarifa se compõe do preço do gás russo para os países do leste europeu menos o custo de seu trânsito por território ucraniano.

Pelo protocolo de acordo assinado em 2 de outubro entre Moscou e Kiev, a Rússia aceitou que a passagem de um preço reduzido a um preço de mercado para suas entregas de gás seja progressiva, mas apenas se Kiev cumprisse todas as suas obrigações com Moscou. A Gazprom pedia o pagamento de mais de US$ 2 bilhões de dívidas ucranianas, mas a empresa de gás Naftogaz pagou apenas US$ 1,5 bilhão.

 

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