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Dinheiro
12/01/2009 - 13h17

Investimento é melhor forma de evitar que crise se alastre, diz Lula

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YGOR SALLES
da Folha Online

Atualizado às 14h20

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o discurso otimista sobre a economia brasileira em 2009 mas alertou os governos dos três níveis (municipal, estadual e federal) para continuar investindo, principalmente no primeiro trimestre, como forma de evitar que a crise se alastre no Brasil.

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"Tudo o que for possível cortar em custeio, nós vamos fazer. Mas tudo o que for possível a gente colocar para gerar empregos, na construçãi civil, na habitação, nas rodovias, nas ferrovias, nós vamos fazer. E tenho certeza que esse é o compromisso do [governador de São Paulo, José] Serra, do [prefeito de São Paulo, Gilberto] Kassab, da Yeda [Crusius, governadora do Rio Grande do Sul] e de todos os governadores", afirmou Lula na abertura da 36ª edição da Couromoda. "Porque se nós não tomarmos a iniciativa nesse primeiro trimestre, aí sim nós poderemos correr o risco da crise chegar aqui mais forte do que deveria chegar."

"O Brasil, e o governo, e tenho a certeza dos governos e dos prefeitos das cidades mais importantes assumam o seu papel de não permitir que o mercado por si só tem que resolver um problema que o mercado não vai resolver sozinho", acrescentou.

Ainda sobre investimentos, Lula afirmou que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deve ficar de olho para que nenhuma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) pare neste momento, ressaltando que ela deve ainda inventar novas obras e cuidar delas.

No primeiro pronunciamento de 2009, Lula diz querer passar uma mensagem de otimismo baseado no que ele chama de melhor situação da economia frente a outros países mais desenvolvidos.

"O meu otimismo vem da mais absoluta consciência de que os maiores interessados em não permitir que essa crise perdure muito tempo são os países ricos. Porque ao longo do século 20 eles criaram um outro grupo de países períféricos que dependem deles. E aí entra o Brasil em uma situação mais confortável", afirmou Lula, lembrando que, na condição de "corintiano, católico, brasileiro e presidente da República", ele não pode ser pessimista.

"Temos certeza que o [Barack] Obama [que toma posse da Presidência dos EUA dia 20] está com um pepino muito grande. Nós sabemos e ele sabem também que não pode perder tempo para tentar tomar medidas para resolver a crise americana", lembrou o presidente.

Sobre as medidas que devem ser tomadas pelo países desenvolvidos, Lula disse que um dos pontos principais é uma maior regulação do mercado financeiro global. Segundo ele, isso deve ser discutido na reunião do G20 no Reino Unido.

"Na reunião que vamos fazer em Londres no dia 2 de abril, que os presidentes do mundo inteiro se convençam de que é preciso que a gente tenha um controle mais rígido do sistema financeiro", disse. "Porque teve muita gente que ganhou muito dinheiro sem produzir um prego para colocar no sapato, sem produzir um cadarço, sem produzir um tênis, apenas com a especulação [...] Ganhar dinheiro sem produzir nada é a mesma coisa que ganhar dinheiro em uma roleta, em um cassino."

Apesar do otimismo, Lula lembrou que as medidas devem ser tomadas rapidamente pelos países desenvolvidos, sob o risco de o desemprego nesses países causar "convulsões sociais". "Porque a perdurar muito tempo, com o desemprego que vai acontecer, nós corremos o risco de [presenciar] uma convulsão social que o mundo desenvolvido não esperara que ocorresse no século 21."

 

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