Rússia propõe retomar negociações sobre provisão de gás aos ucranianos
da Efe, em Moscou
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, pediu hoje à Ucrânia para garantir o trabalho dos observadores de forma a retomar o bombeamento de gás à Europa, e propôs resgatar as negociações sobre os fornecimentos diretos para os consumidores ucranianos.
Em conversa por telefone com o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, o líder russo pediu que se faça "tudo o que for preciso para que os observadores internacionais cheguem o mais rápido possível aos lugares de controle e iniciem seus trabalhos" para supervisionar o trânsito de gás.
O líder russo ressaltou que, "imediatamente depois disso, a Rússia poderá iniciar os fornecimentos de gás para os consumidores europeus por território ucraniano e restabelecer gradativamente o regime normal de passagem", informou a Presidência russa.
Medvedev indicou que o reatamento dos fornecimentos é possível quando Moscou, Kiev e a UE (União Europeia) assinarem novamente hoje o protocolo com as "Normas do controle sobre o trânsito do gás", agora sem as reservas da parte ucraniana, pelas quais "se perdeu muito tempo."
Horas antes, Yushchenko ordenou ao governo ucraniano "garantir o trânsito de gás à Europa", após conversar com o presidente da Comissão Europeia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e Kiev assegurou que os observadores já se dirigiam aos pontos de controle.
O presidente russo afirmou que o país está disposto a retomar imediatamente as negociações entre as empresas de gás russa Gazprom e a ucraniana Naftogaz sobre as tarifas do fornecimento para a Ucrânia em 2009, disputa que motivou os cortes à Europa.
No entanto, ressaltou, "estas provisões serão realizadas a preços europeus de mercado", e não pelos preferenciais que a Gazprom oferecia à Ucrânia antes do conflito.
Medvedev destacou ainda que, após a atual crise entre Moscou e Kiev, o memorando bilateral de 2 de outubro "perdeu vigência e não pode servir de base para as negociações". Pelo acordo, a Rússia tinha se comprometido a elevar por períodos as tarifas do combustível à Ucrânia, para chegar a preços de mercado em 2011.
O líder russo exigiu que a Ucrânia salde suas dívidas pelo combustível russo consumido em 2008, das quais tem pendentes US$ 600 milhões em multas, e pague o gás "desviado ilegalmente" este mês das entregas para a Europa.
A Rússia está disposta a estudar diversas formas de pagamento, incluindo um possível crédito à Ucrânia por parte da UE ou outros tipos de "relações econômicas", em alusão à possível participação na privatização de gasodutos ucranianos.
Retomada
Por sua vez, o governo da Ucrânia disse nesta segunda-feira que confia na retomada do bombeamento de gás russo através de seu território amanhã, tal como foi acordado com a Rússia e a UE.
"Esperamos que as últimas discussões permitam, tal como prometeu a parte russa, retomar a provisão de gás amanhã de manhã", declarou hoje o vice-primeiro-ministro ucraniano, Grygoriy Nemyria. Explicou que Moscou e Kiev alcançaram o ponto em que "já não resta nenhum obstáculo para retomar a provisão de gás amanhã."
Ele afirmou que "há uma solução técnica" para encurtar o período de passagem da Rússia até os clientes na UE, estimado em 36 horas. "Se houver boa vontade [os técnicos] podem encurtar este período", disse, sem especificar, porém, de que forma eles poderiam fazer isto.
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