Venda de veículos deve cair 11% neste ano, estima vice-presidente da GM
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O vice-presidente da General Motors no Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, prevê a venda de 2,5 milhões de veículos neste ano, contra 2,82 milhões em 2008. Com a queda de 11% nas vendas, segundo estimativas do executivo, o mercado automotivo deve voltar aos patamares de 2007, quando foram negociadas 2,46 milhões de unidades.
Para Pinheiro Neto, apesar da retração, o quadro não é "dramático". Ele aposta que a oferta de crédito e a confiança do consumidor serão restabelecidas.
"Eu não sou catastrofista. Tem gente dizendo que vai cair para menos de 2 milhões, sem nenhuma base. A situação não é tão dramática. Hoje, há uma situação de crédito, de confiança [abalada]. E acaba readquirindo essa confiança. É uma situação passageira", disse o executivo.
| Caio Guatelli/Folha Imagem |
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| GM encerrou 744 contratos temporários no interior de SP com mercado mais fraco |
Na semana passada, em coletiva de imprensa sobre os números finais da indústria em 2008, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) não divulgou estimativas para este ano.
Pinheiro Neto avalia como positivo o mercado em 2,5 milhões --ante vendas de 2,8 milhões em 2008 e previsões para aquele ano de 3,2 milhões. "Eu acho positivo. Se extrapolar o que aconteceu até setembro, as vendas iam para 3,15 milhões. Sua excelência o mercado virou. Hoje, você não tem mais as verdades definitivas. (...)", afirmou Pinheiro Neto.
Segundo dados da Anfavea, as vendas de veículos em setembro do ano passado somaram 269.700 unidades, contra 177.800 em novembro, o pior mês do ano. Em dezembro, foram vendidos 194.486.
"O mercado vira muito rápido. Esse catastrofismo generalizado não tem fundamento, até por falta de credibilidade. A GM vendeu 550 mil unidades em 2008. O mercado brasileiro hoje é o quarto ou quinto do mundo. Ignorar isso não é razoável, não é justo. Não acho que esteja tudo azul. Mas também não acho que seja uma situação tão negativa".
Para Pinheiro Neto, as medidas anunciadas pelo governo no final do ano passado (de IPI, o Imposto sobre Produtos Industrializados, zero para carros de motor 1.0 e redução para motorizações maiores) foram determinantes para a melhora do quadro no último mês de 2008. "As medidas do governo foram muito ágeis e funcionaram. O quadro seria muito pior [sem elas]", disse o executivo, que se esquivou de traçar um cenário para a partir de março, quando as medidas deixam de valer, e de informar se a prorrogação será pleiteada pela indústria.
"A situação de reduzir imposto é excepcional, até porque no Brasil, você comprava um carro médio e pagava dois, um para nós e outro para o governo. E falo em redução, desde que vá para o preço, não para aumentar o lucro [das empresas]. E hoje com a concorrência tão acirrada e os estoques tão elevados, essa salutar competição só beneficia o consumidor", afirmou Pinheiro Neto.
Para reduzir os estoques e esvaziar o pátio das montadoras, o vice-presidente da GM aponta, além da redução de impostos, o incentivo à renovação da frota no país.
"Há medidas estruturais, como redução de imposto, renovação de frota e logística [para estimular as vendas]. Há muita coisa que pode ser feita sem mudar a legislação".
Dispensas
Ontem (12), a GM acertou a dispensa de 744 profissionais em São José dos Campos, no interior de São Paulo (a 97 km da capital). Segundo Pinheiro Neto, a medida atinge contratos de trabalho temporários, em fim de prazo e em andamento, e é consequência da desaceleração do mercado.
Atualmente, a GM tem 6.000 funcionários em São Caetano em férias coletivas. Em Gravataí, as férias foram antecipadas em uma semana. "Eram três semanas, serão duas. Lá, fabricamos o Celta e o Prisma, que foram extremamente beneficiados pelo IPI. É a história do mercado", diz o executivo.
Quanto ao futuro dos demais contratos temporários em vigor na empresa (ao todo são 2.500), Pinheiro Neto desconversa.
"Não temos previsão [de que contratos não sejam renovados]. Qualquer coisa que eu diga será mero achismo. Não há decisão."
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