Rússia retoma fornecimento de gás para a Europa pela Ucrânia
da Folha Online
A Rússia retomou na manhã desta terça-feira o fornecimento de gás para a Europa via Ucrânia, segundo redes de TV locais. A gigante russa Gazprom cumpriu a exigência do acordo assinado pelos governos de Moscou e Kiev e observadores da União Europeia sobre o trânsito do gás na região.
Rússia e a Ucrânia concordaram em enviar observadores europeus, russos e ucranianos aos pontos-chave de passagem, a partir dos quais poderão controlar a circulação do gás. O fornecimento de gás russo à Europa pela Ucrânia está parado há uma semana, desde que a Rússia fechou os gasodutos com o país vizinho.
A Ucrânia foi acusada de desviar gás após um impasse com as empresas fornecedoras russas sobre o preço do produto. A crise ocorreu justamente durante o inverno europeu, um dos mais rigorosos dos últimos anos, e afetou grande parte do Leste Europeu.
Segundo o ministro de Indústria e Energia tcheco, Martin Riman, cujo país exerce a Presidência rotativa da UE, a situação já afetou 11 países da UE (especialmente Bulgária e Eslováquia). A UE importa da Rússia 25% do gás que consome e, desse total, 80% são recebidos por território ucraniano.
"Faço um apelo a ambas as partes para que realmente façam o que prometeram", afirmou o ministro. Ele pediu prudência ainda, porque, nos últimos dez dias, o bloco acreditou nas promessas dos dois lados antes e, depois, os acordos não foram cumpridos.
Negociações
O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou nesta segunda-feira (12) que o país está disposto a retomar imediatamente as negociações entre as empresas de gás russa Gazprom e a ucraniana Naftogaz sobre as tarifas do fornecimento para a Ucrânia em 2009.
O líder russo exigiu que a Ucrânia salde suas dívidas pelo combustível russo consumido em 2008, das quais tem pendentes US$ 600 milhões em multas, e pague o gás "desviado ilegalmente" este mês das entregas para a Europa.
A Rússia está disposta a estudar diversas formas de pagamento, incluindo um possível crédito à Ucrânia por parte da UE ou outros tipos de "relações econômicas", em alusão à possível participação na privatização de gasodutos ucranianos.
O acordo aceito ontem pelos dois países e a UE é o segundo em menos de uma semana. O primeiro acordo, assinado na quinta-feira passada, foi anulado porque a Ucrânia fez ressalvas no documento declarando não ter dívida com a companhia russa de gás Gazprom e rejeitando as acusações de roubo de gás. A Rússia criticou a manobra.
Os 27 países-membros do bloco exigiram às duas partes que se esforcem para evitar a repetição de crises similares no futuro.
A diferença entre antes e agora é que, se o fluxo não for restabelecido, "poderemos dizer quem é o responsável", advertiu o comissário europeu de Energia, Andris Piebalgs. Segundo ele, "nunca vamos investigar quem é o responsável pela situação, mas, quando a missão de observação tiver ocupado todos os seus postos, o bloco contará com informação detalhada do que acontecer de agora em diante".
O comissário explicou ainda que será preciso voltar a reforçar as reservas estratégicas de gás, algo que não recebeu tanta importância no começo, mas que foi comprovado que é fundamental, já que os países que contavam com gás armazenado foram os que enfrentaram melhor a situação.
Com Efe e France Presse
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