Presidente da Rússia propõe cúpula de países consumidores de gás
da Efe, em Moscou (Rússia)
da Folha Online
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, propôs nesta quarta-feira realizar no sábado (17), em Moscou (capital da Rússia), uma cúpula de chefes de Estado e de governo dos países consumidores do gás russo.
"Apesar de todos os esforços da parte russa e dos observadores da União Européia [UE], e apesar dos acordos alcançados, a Ucrânia não abriu a passagem", disse Medvedev, segundo a agência de notícias Interfax. "Confio em que a reunião de Moscou permitirá encontrar uma saída para a situação criada, e também para evitar sua repetição no futuro."
O presidente russo disse que a situação do trânsito do gás russo através da Ucrânia já é um problema político, porque todos os requisitos técnicos já foram cumpridos. "É lamentável, porque isto faz com que o conflito, que era tratado como econômico, se transforme em político", afirmou.
Ele acrescentou que a Rússia e os países que compram o gás russo são "reféns do sistema de poder e da crise política da Ucrânia".
Medvedev fez a proposta em reunião com os chefes de governo da Eslováquia, Robert Fico; da Bulgária, Serguei Stanishev, e de Moldova, Zinaida Greceanii, informou a agência russa Itar-Tass.
Rússia e Ucrânia entraram em 2009 com uma disputa sobre o gás natural russo. A estatal russa Gazprom cortou no dia 1º deste mês o fornecimento do combustível para a Ucrânia devido a uma falta de acordo sobre o preço que será pago pelo produto. Antes de romper as negociações, o governo russo propunha elevar o preço de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, mantendo a tarifa de passagem em US$ 1,70 para o transporte de cada mil metros de gás por 100 quilômetros de percurso.
Já o governo ucraniano aceitava no máximo US$ 235 por mil metros cúbicos, se a tarifa de transito também subisse para US$ 1,80 a cada mil metros cúbicos. A partir de então, a Gazprom passou a anunciar que aumentará o preço do gás à Ucrânia em 2009 para US$ 450 por cada mil metros cúbicos.
Tribunais
O presidente da Comissão Europeia --o órgão executivo da UE--, José Manuel Durão Barroso, afirmou hoje que se Gazprom e Naftogaz não cumprirem seus compromissos para fornecer gás para a Europa, aconselhará as companhias europeias afetadas a irem para os tribunais.
Ele classificou a disputa entre as duas estatais, que tem prejudicado o fornecimento do combustível para outros países europeus, de "inaceitável" e "inacreditável". "Caso os acordos assinados com a Europa não sejam respeitados, a Comissão aconselhará as empresas europeias afetadas a levarem a Gazprom e a Naftogaz aos tribunais e encorajará os Estados-membros a buscarem caminhos alternativos de fornecimento", afirmou.
Bloqueio
A Gazprom informou hoje que a Ucrânia mantém o bloqueio ao fornecimento de gás para os consumidores europeus. Segundo a empresa, a Naftogaz se negou a receber o gás para envio à Europa.
Na madrugada de hoje, a Gazprom solicitou que a parte ucraniana garantisse o envio de 98,8 milhões de metros cúbicos de gás através da estação de Sudzha; o lado ucraniano, no entanto, só aceitava realizar a passagem do gás através das estações de Pisarevka e Valuika, que atendem principalmente o consumo interno do país.
Além disso, a Naftogaz exigiu encher de gás os gasodutos de passagem, o que representa um volume de 140 milhões de metros cúbicos de combustível, segundo a Gazprom. "As respostas da Naftogaz mostram que a Ucrânia não é capaz de devolver o gás subtraído sem autorização do sistema [de gasodutos] nem de retomar o trânsito", informou a estatal russa, em um comunicado.
O presidente da Naftogaz, Oleg Dubina, negou as acusações da Rússia de que a Ucrânia tenha roubado gás destinado à Europa. "Depois que [a estação de] Sudzha começasse a bombear e que no sistema de gasodutos ficassem 1,2 bilhão [de metros cúbicos] de combustível, fornecemos todo o gás a Moldova. Por isso, me desculpem, dizer que outra vez roubamos algo é mentira", disse.
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