Fiesp defende redução de jornada e salários, sem garantia de estabilidade
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Após reunião com empresários nesta quarta-feira, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, voltou a defender a redução da jornada de trabalho e de salários para evitar demissões no país. Ele advertiu, no entanto, que um possível acordo não vai garantir estabilidade do emprego.
"Enquanto a redução de jornada com redução de salário estiver em curso, a nossa preocupação é manter o nível de emprego. Mas não estamos falando de estabilidade de emprego, que não está na lei do país nem na competitividade das empresas", disse.
| Alexia Santi/Folha Imagem |
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| Presidente da Fiesp rejeitou ideia de que empresas beneficiadas não possam demitir |
Segundo Skaf, os cerca de 30 empresários presentes na reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, hoje, foram unânimes em apoiar a medida.
"Foi feito um apelo que tudo seja feito, todas as alternativas sejam esgotadas antes de mexer no emprego. As empresas disseram que se tiver redução de jornada com redução de salário, vamos manter o nível de emprego. Se não, vamos demitir. Estamos em um momento atípico e temos de nos adaptar diante de um momento atípico", disse Skaf.
Empresários ligados à Fiesp e trabalhadores representados pela Força Sindical se reuniram ontem na sede da federação paulista para tratar a questão. Segundo Skaf, os dois lados devem orientar seus sindicatos, nos próximos dias, a buscar um entendimento sobre a redução da jornada e dos salários.
"O sinal foi dado, para se antecipar e quebrar um paradigma. Esperamos que até quinta-feira se chegue a um acordo. (...) A negociação está sendo feita em São Paulo, mas há empresas com negócios em outros Estados. A Força Sindical é nacional. Deve haver repercussão em outros Estados também", disse Skaf.
CUT
Quanto à recusa da CUT (Central Única dos Trabalhadores) de participar da negociação, Skaf disse que ainda há "um canal de entendimento" com a entidade e que o acordo vai ser fechado com ou sem sua aprovação. "Vamos fazer isso com a CUT ou sem CUT", disse Skaf.
Segundo ele, quem se posiciona contra a medida "está a favor do desemprego" e advertiu que não é "momento de fazer média".
Apesar de destacar a gravidade da crise econômica, Skaf disse que a situação não é generalizada e que um possível acordo de corte de jornada e redução de salário não deverá atingir todos os setores. Ele afirmou que tampouco o limite de redução --de 25%-- imposto na legislação deverá ser usado integralmente, embora considere haver brechas para que seja ultrapassado.
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