Investimento em títulos públicos pelo Tesouro Direto dobra em 2008
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
As vendas de títulos públicos para pessoas físicas por meio do Tesouro Direto cresceram 102% em 2008. Os investidores aplicaram no ano passado R$ 1,558 bilhão, valor recorde desde o lançamento dessa opção de investimento, em 2002.
O número de investidores cadastrados cresceu 42%, mas ainda é pequeno em relação ao número de pessoas que utilizam outros tipos de investimentos, de apenas 145.939 pessoas. No ano passado, o Tesouro Nacional registrou o cadastro de 43 mil novas pessoas no sistema.
As aplicações de até R$ 1.000 representaram 27,6% do total. Hoje, o valor mínimo para aplicação é de R$ 130.
Os papéis mais vendidos no ano foram os títulos prefixados (LTN e NTN-F), cuja participação atingiu 45,9%, seguidos dos títulos indexados ao IPCA (NTN-B e NTN-B Principal), que representaram 37,7% das vendas.
O mês com maior volume de investimentos (valor recorde de R$ 259 milhões) e maior número de investidores cadastrados foi outubro, logo após a piora da crise internacional, que provocou alta dos juros e queda na Bolsa de Valores. Também foi o mês com maior venda de papéis por parte dos investidores, de volta para o governo, na histórica do Tesouro Direto.
Rentabilidade
Em um ano de muita instabilidade no mercado de juros --as vendas do Tesouro Direto chegaram a ser suspensas nos piores momentos da crise--, alguns títulos do governo apresentaram rendimento superior à poupança e ao CDI, principais referências do mercado.
Os títulos indexados ao IGP-M com vencimento em 2011 (NTN-C 2011) foram os que mais renderam (15,4% no ano). Esses papéis não são mais vendidos pelo governo.
A segunda maior rentabilidade ficou com a NTN-F 2011, que paga juros prefixados, com 14,2% no mesmo período.
No geral, os títulos prefixados apresentaram retornos entre 11,9% e 14,2% e os papéis indexados à taxa Selic tiveram retornos variando entre 12,2% e 12,5%. Os títulos remunerados por índices de preços (IPCA ou IGP-M), mais instáveis, apresentaram retornos entre 1,2% e 15,4%.
No mesmo período, o CDI rendeu 12,37% e a poupança, 7,89%.
Bancos e corretoras
Os bancos e corretoras mais utilizados pelos investidores foram o Banco do Brasil, corretora Ágora, corretora Socopa e Caixa Econômica Federal.
Os dois bancos estatais cobram taxas de 0,50% ao ano e 0,40% ao ano, respectivamente. A Socopa não cobra nada e a Ágora tem taxa de 0,23% ao ano.
As taxas mais caras no ano foram do Itaú e Bradesco, superiores a 3% ao ano.
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