Dinheiro
15/01/2009 - 17h54

Entenda a disputa por gás entre Ucrânia e Rússia

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da Folha de S.Paulo

O que está em jogo?

Dinheiro. A estatal russa Gazprom quer aumentar o preço do produto, vendido à Ucrânia por tarifa preferencial, e Kiev quer receber mais pelo uso dos dutos que levam o gás russo à Europa.

Kiev exige que o "gás técnico", necessário para manter a pressão nos dutos, seja fornecido gratuitamente. O país questiona dívidas cobradas por Moscou e quer pôr fim ao monopólio da transportadora RosUkrEnergo.

Sem consenso, a Gazprom suspendeu, em 1º de janeiro, o abastecimento do mercado ucraniano e retirou proposta de aumento de 40%, passando a exigir 140%. A empresa acusa Kiev de roubar gás destinado à Europa. Segundo a Ucrânia, o uso de parte do gás para "necessidades operacionais de transporte" era legal.

Como a política afeta a disputa entre Moscou e Kiev?

A tensão entre o Kremlin e a Ucrânia, aspirante a membro da Otan (aliança militar ocidental), alimenta o litígio comercial. Moscou questiona os subsídios ao gás ucraniano desde a ruptura com Kiev, após a Revolução Laranja de 2004. A ascensão de um governo antirrusso acirrou a demanda ucraniana por uma taxa de transporte "realista" --o país afirma que o valor cobrado é artificialmente baixo.

Qual o efeito na Europa?

Moscou acusa Kiev de desviar gás destinado à Europa e cortou, há oito dias, todo o fluxo para os dutos ucranianos, afetando 18 países em pleno inverno --um quarto do gás consumido na UE é russo, e 80% dele passa pela Ucrânia.

No Leste Europeu, mais atingido, fábricas foram fechadas e falta gás para aquecer escolas e casas. As reservas da Europa Ocidental são suficientes para apenas algumas semanas e o sistema energético pode entrar em colapso se a crise persistir.

Qual a posição da UE?

O bloco é neutro na disputa, mas exige a normalização do fornecimento. A UE mediou acordo entre Moscou e Kiev sobre o abastecimento e enviou missão para monitorar os gasodutos, mas o acesso às salas de controle foi restringido nos dois países.

Por que a promessa de normalizar o abastecimento da Europa foi descumprida?

O fluxo de gás russo para a Ucrânia foi retomado parcialmente anteontem, mas a pressão do dutos é baixa demais para que o gás russo chegue à Europa. Kiev afirma que a Gazprom enviou volume insuficiente e exige mais "gás técnico". A Rússia acusa a Ucrânia de reter o produto.

Há alternativas ao suprimento via Ucrânia?

Sim, mas elas são insuficientes. O fluxo via Turquia e Belarus foi intensificado, mas, apesar disso, o abastecimento russo à Europa caiu pela metade. A norueguesa StatoilHydro, segunda maior fornecedora do continente, já trabalha a plena capacidade.

 

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