Crise reduz índice de efetivação de temporários
NATÁLIA PAIVA
colaboração para a Folha de S.Paulo
A Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) reduziu em sete pontos percentuais a expectativa de efetivação de trabalhadores temporários contratados em outubro de 2008 para o período de Natal.
Em setembro do ano passado, antes do agravamento no Brasil dos efeitos da crise financeira global, a previsão era de que fossem criados 113 mil postos temporários no período de Natal, 7,6% mais do que em 2007. No prognóstico, 37% seriam efetivados.
O presidente da Asserttem, Vander Morales, afirma que a previsão do número de postos criados se concretizou. Mas desses trabalhadores, cujos contratos devem se encerrar agora, apenas 30% devem ser efetivados -em 2007, o percentual foi de 34%.
Na empresa de mão-de-obra temporária Gelre, números recentes já apontam queda da ordem de 12% no fim de 2008 em comparação com o mesmo período de 2007, segundo Pedro Scigliano Júnior, gerente de operações. Scigliano Júnior prevê baixa taxa de efetivação.
Os empregados temporários, seja em regime de trabalho temporário ou de contrato por prazo determinado, são a ponta mais frágil do mercado de trabalho, diz José Márcio Camargo, professor de economia do trabalho da PUC-RJ, pois trabalham em período de teste.
Alternativa
Como em geral os temporários são os que têm menos tempo de empresa, são os primeiros a serem demitidos. Mas o presidente da Asserttem aposta que a mão-de-obra temporária pode ser, após uma futura retomada da economia, uma opção flexível de contratação.
Para a Asserttem e o Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Terceirização de Serviços e Trabalho Temporário), de maio de 2007 a maio de 2008, a média de temporários empregados no Brasil foi de 858.580, 12% maior que nos 12 meses anteriores, com remuneração mensal média de R$ 840.
Nesse período, eles representavam 2,44% da massa empregada com carteira assinada.
Até maio, a indústria era responsável por quase 50% da efetivação. Como esse foi o setor que mais demitiu em 2008, segundo dados do Caged, do Ministério do Trabalho, o cenário, de acordo com Morales, é "preocupante".
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