Banco americano Wells Fargo tem prejuízo de US$ 2,83 bi no 4º trimestre
da Folha Online
O banco americano Wells Fargo anunciou nesta quarta-feira que teve um prejuízo de US$ 2,83 bilhões (US$ 0,79 por ação) no quarto trimestre de 2008. O resultado, segundo o banco, se deveu aos custos referentes à compra do rival Wachovia.
No quarto trimestre de 2007, o Wells Fargo obteve um lucro de US$ 1,36 bilhão (ganho de US$ 0,41 por ação) um ano antes.
A compra do Wachovia foi aprovada no dia 23 de dezembro do ano passado, pelos acionistas das duas instituições. Em outubro, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) já havia aprovado o negócio.
A compra se deu em meio a uma disputa com o Citigroup. No início de outubro, o Wells Fargo anunciou a fusão com o Wachovia, incluindo as operações bancárias de varejo da instituição; estas, no entanto, já haviam sido negociadas em um acordo preliminar, feito entre o Citi e o Wachovia e anunciado no dia 29 de setembro, com a assistência da FDIC (Corporação Federal de Seguro de Depósito, na sigla em inglês), órgão do governo que garante operações do setor bancário americano. O Wachovia ficaria apenas com as operações de varejo em corretagem e em negociações de títulos.
O Citigroup considerou que o acordo entre o Wachovia e o Wells Fargo foi uma "clara ruptura" do acordo que tinha. "O acordo do Wachovia quanto a uma transação com o Wells Fargo é uma clara ruptura de um acordo de exclusividade entre o Citi e o Wachovia (...) O Citi solicitou que o Wachovia e o Wells Fargo terminem e não procedam a nenhuma transação proposta", informou o banco, em um comunicado.
Quando a transação entre o Wachovia e o Wells Fargo foi anunciada, o Citi "estava concluindo os acordos necessários para completar a aquisição do Wachovia, que está respaldada pela FDIC", disse o comunicado. O Citigroup informou estar disposto a prosseguir com as negociações com o Wachovia sobre a transação já aceita pelas duas partes.
O Wachovia, por sua vez, justificou a mudança súbita devido à ausência de um acordo definitivo de fusão com o Citigroup e explicou que a aquisição por parte do Wells Fargo seria melhor para seus acionistas, para seus funcionários e para o Estado.
O Wachovia é uma das instituições bancárias mais atingidas pela crise financeira em curso, surgida a partir dos problemas no mercado imobiliário --em particular no segmento de hipotecas "subprime" (que reúne clientes com histórico de problemas com crédito).
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