Dinheiro
30/01/2009 - 21h19

Lula diz que EUA usam medidas protecionistas para recuperar economia

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da Folha Online
com Efe, em Belém

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje a restrição ao aço estrangeiro incluída entre as medidas do governo americano para recuperar a economia. O pacote, de US$ 819 bilhões, foi aprovado quarta-feira pela Câmara dos Representantes americana --o plano ainda deve passar pelo Senado.

"Eu li ontem que o presidente [dos Estados Unidos] Barack Obama decidiu que, nos novos investimentos deles, devem usar só aço da siderúrgica americana. Se isso for verdade, é um equívoco. O protecionismo nesse momento vai agravar a crise, não resolvê-la", disse.

"É importante que os países ricos não esqueçam nunca que foram eles que inventaram essa história de que o comércio poderia fluir livremente pelo mundo. Não é justo que agora, que eles entraram em crise, esqueçam o discurso do livre comércio e passem a ser os protecionistas que nos acusavam de ser", disse Lula no Fórum Social Mundial, em Belém.

Lula afirmou que espera que Obama tome as medidas necessárias para recuperar a economia, mas "não permita que os países pobres paguem por uma crise que não criaram".

O plano de estímulo econômico elaborado pelos americanos prevê o uso exclusivo de aço e ferro americano em projetos de infraestrutura. Sobre isso, porém, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse hoje que "a administração está examinando essa cláusula" e pode rever a medida.

A cláusula, intitulada "Compre América", foi incluída dentro de um projeto de lei de cerca de 650 páginas. A cláusula, segundo os especialistas, prejudicaria não apenas os europeus, mas principalmente o Brasil --o maior exportador de ferro e um dos maiores exportadores de aço do mundo.

O Brasil exportou US$ 1,296 bilhão em produtos siderúrgicos para os EUA em 2007, o equivalente a 19,6% das vendas externas do setor no período, segundo o Ministério de Minas e Energia. Os números de 2008 ainda não foram fechados.

O texto prevê exceções no caso de esta disposição "ser contra o interesse público", ou se não houver aço e ferro de qualidade satisfatória suficientes, ou ainda se os recursos aos únicos produtos americanos aumentarem o custo de um projeto em mais de 25%.

Críticas

Sobre "decisões protecionistas", o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, fez um apelo hoje no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), pela conclusão da Rodada Doha, e pediu ainda que os países não recorram ao "instinto protecionista", o que, segundo ele pode aniquilar os países pobres.

"Não há como evitar medidas protecionistas num sistema que não esteja progredindo, pois o instinto [em situações de crise] não é favorável ao livre comércio. É ser protecionista', afirmou. Se o mundo entra nessa vertente, os países pobres se verão prejudicados, por falta de condições de enfrentar esse nacionalismo econômico", disse Amorim.

Também em Davos, a Europa contestou a cláusula. A comissária europeia do Comércio, Catherine Ashton, manifestou preocupação. "Estamos examinando a situação. Ainda é cedo para se pronunciar sobre este texto, antes de ter sua versão final", indicou seu porta-voz, Peter Power, em Bruxelas.

"Entretanto, há uma coisa da qual estamos absolutamente certos, é que se uma lei for votada e ela proibir a venda ou a compra de produtos europeus no território americano, não poderemos ignorá-la e ficar de braços cruzados", disse Power.

Comentários dos leitores
Henrique Silva (192) 30/11/2009 02h52
Henrique Silva (192) 30/11/2009 02h52
Dizem que Dilma está fazendo campanha. Mas SERRA e AÉCIO são os únicos que estão PAGANDO PRA FAZER CAMPANHA A NÍVEL NACIONAL. Os dois estão aparecendo no SBT e SRRA já foi à dois programas (SBT e rede-tv) para ser entrevistado com um carinho, atenção e apoio dos apresentadores que eu imaginei que eles devessem ser parentes (ou então foram bem pagos pra isso).
Antes da oposição jogar pedra olhem para seus telhados!
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celso assis (74) 29/11/2009 20h14
celso assis (74) 29/11/2009 20h14
QUE CONFUSÃO, TIRA DAQUI PÕE ALI, ETC E TAL. ORA PENSEI QUE ESTAVA TUDO OK, QUE A CRISE TINHA ACABADO, ETC E TAL.
COMO DIRIAM: O TEMPO SERÁ O SENHOR DA RAZÃO
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Olmir Antonio de Oliveira (69) 29/11/2009 15h53
Olmir Antonio de Oliveira (69) 29/11/2009 15h53
A respeito do direitos do consumidor. Muito boa reportagem. È de se lamentar que os direitos do consumidor não estão sendo deixados de lado, vale lembrar o dito pelo minístro, e previsões para inicio para todos os modelos de tv terem os conversores e ou serem esclusivos para o sistema digital. Dado os custos industriais, a capacidade de mobilização do setor, estão adotando um atalho, tem se a impressão de intensionalmente visando um prejuizo para o consumidor "para compra de adaptador ou compra de novo equipamento". De fato é com as as atuais tecnologias e sistemas produtivos, e levando em conta que no exterior, existe enorme ociosidade na capacidade de produção de equipamentos e ou de componentes. Mas o brasileiro tem que aceitar um produto que em pouco tempo não tera qualquer serventia se não fizer uma adptação, a famosa gambiarra. Deveriam dar mais qualidade e garantias aos produtos que vendem e inclusive quando comparados aos preços para o consumidor no exterior, aqui teriam que ter preços significativamente menores. Dado o volume de equipamentos anualmente comprados pelos brasileiros, um mercado de quase duzentos milhões de consumidores, e altamente carente de consumo, a muitos anos esperando por melhorias saláriais, mas até agora só percebeu pequeno percentual, ainda sobrevivente de vales, transporte...farmacia...alimentação, e salário valendo quase nada. É de se espera que diante de tal realidade do brasileiro, e no atual cenário econômico mundial, Venham produzir aqui sem opinião
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