BNDES prepara fundo para pequena empresa
da Folha de S.Paulo
Depois de atuar para fazer o dinheiro voltar a circular entre os bancos médios e pequenos --liberando compulsório e fazendo a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil comprarem carteiras de crédito--, o governo, agora, deverá desembolsar recursos e criar um fundo para minimizar o risco de inadimplência atribuído pelos bancos às empresas de pequeno porte, o que tem encarecido os empréstimos.
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Proposta nesse sentido foi entregue no final do ano passado pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) ao BNDES e está sendo discutida no governo. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, confirma, por meio de sua assessoria, que está analisando a medida, mas afirma que ela ainda é "muito incipiente".
Segundo a Folha apurou, Coutinho já se reuniu com a Febraban para tratar do assunto, mas ainda não há uma formatação do novo fundo. Há, pelo menos, dois modelos possíveis: um fundo de direito creditório --no qual os recursos aplicados pelo governo serviriam para adquirir os créditos concedidos pelos bancos, que depois seriam repassados a terceiros-- e um fundo de aval.
Nesta segunda opção, haveria espaço para maior ampliação no número de operações, já que o fundo só faria desembolsos efetivos no caso de inadimplência. Tudo vai depender da quantidade de recursos disponíveis. Parte do dinheiro poderá sair do Fundo Soberano do Brasil, criado no final do ano passado e que tem R$ 14,2 bilhões em recursos públicos para investir, mas que já é cobiçado por outras áreas que tiveram recursos cortados e precisam fazer investimentos.
Dentro do governo, uma corrente defende que o fundo não seja constituído só com recursos públicos, mas que os bancos também contribuam. A exemplo do que ocorre com o Fundo Garantidor de Crédito, eles poderiam fazer um desembolso mensal para reforçar as reservas desse novo fundo.
O objetivo da proposta é fazer com que o custo dos empréstimos seja menor para as empresas, sobretudo, as pequenas e médias, que têm sofrido mais depois que os bancos pequenos ficaram sem dinheiro para continuar suas operações.
Apesar de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ter declarado recentemente em entrevista à Folha, que a crise de crédito, que secou o fluxo de dinheiro entre os bancos, foi superada, a maior reclamação dos empresários é justamente que o problema não foi totalmente resolvido.
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