Dinheiro
10/02/2009 - 13h29

BNDES anuncia ampliação de linhas de crédito com juros mais altos

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta terça-feira a ampliação das suas linhas de crédito para ajudar as empresas a enfrentarem a crise econômica. Os empréstimos terão, no entanto, uma taxa de juros 2,5 ponto percentual acima da cobrada hoje pelo banco na maioria dos seus financiamentos.

A maioria das operações do banco estatal de desenvolvimento tem juros atrelados à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), hoje em 6,25% ao ano. As novas linhas estarão ligadas à TJTN (Taxa e Juros do Tesouro Nacional), de 6,25% mais 2,5% ao ano (8,75% ao ano).

Esse aumento se deve ao encarecimento do crédito repassado pelo Tesouro Nacional, que disponibilizou mais R$ 100 bilhões para o BNDES aumentar suas linhas de crédito.

As linhas são destinadas a exportações, compra de ônibus e caminhões, aquisição de máquinas e equipamentos, capital de giro e empréstimo-ponte.

Juros

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou que seria injusto dizer que o banco está aumentando suas taxas de juros. Segundo ele, esse custo maior se deve às novas linhas de crédito que estão sendo criadas pelo banco.

"Ampliou o conjunto de operações que são consideradas investimento e o juro ficou mais caro. Tem muita coisa que não está financiada hoje e que será financiada", afirmou.

Segundo Coutinho, apesar do custo maior, as taxas ainda estão abaixo das praticadas no mercado financeiro.

"Esses R$ 100 bilhões nos foram repassados ao um custo mais alto que a TJLP. Estamos buscando substituir algumas coisas que o mercado deixou de fazer e estamos fazendo de modo ainda mais barato do que o mercado cobrava".

Capital de giro

No crédito para exportação, o prazo foi ampliado de 18 meses para 24 meses e o limite de R$ 150 milhões foi eliminado.

Para capital de giro, o banco estatal de investimento ampliou as regras da linha PEC-BNDES e conta com R$ 6 bilhões, sendo que R$ 1 bilhão já foi emprestado, com prazo de 36 meses e taxa final de juros de até 19% ao ano. O financiamento máximo por empresa subiu de R$ 50 milhões para R$ 200 milhões.

"Essa será a linha de giro mais barata existente no mercado. O volume atual é de R$ 6 bilhões. Mas se houver demanda temos recursos para expandi-la."

Coutinho afirmou que essa é uma linha transitória, que deve ajudar as empresas a ter crédito mais barato durante 2009 para minimizar os efeitos da crise econômica.

"Não é papel do BNDES operar linhas de capital de giro. É uma linha que a gente espera que tenha data para terminar."

Caminhões e ônibus

Entre as operações que foram ampliadas, está uma linha para financiar a compra de ônibus e caminhões. Para veículos novos, o financiamento foi estendido de 80% para 100% do valor do bem. Para usados, linha inédita, o crédito é de até 80% do valor.

"Esperamos aliviar a situação de queda nas vendas de ônibus e caminhões no país", afirmou. Os juros são de 7,9% ao ano para financiamentos de até 80% para grandes empresas e 100% para pequenas empresas. A taxa sobe para 8,6% no crédito para financiamento total de bem para grandes empresas. Nos dois casos já há encarecimento das operações.

Crise

O presidente do BNDES afirmou que já vê uma melhora na economia depois dos problemas enfrentados até o final do ano passado.

"O ajuste no mês de dezembro foi muito forte e o mês de janeiro indica uma acomodação. São claros os sinais de que parou de piorar. Estamos em um período inclusive de estabilização de expectativas."

Coutinho estima que a liberação de crédito possa chegar a até R$ 120 bilhões, acima dos R$ 92 bilhões registrados em 2008. Ele afirmou, no entanto, que seria melhor se o mercado financeiro suprisse parte dessa demanda, o que apontaria uma normalização do crédito no país. O orçamento do banco para este ano é de R$ 166 bilhões.

"Não é nosso objetivo chegar a R$ 166 bilhões. Enquanto o mercado não volta, o BNDES está cumprindo um papel de suprir o investimento."

 

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