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Dinheiro
18/02/2009 - 16h19

Banco Central dos EUA prevê menos crescimento e desemprego maior até 2010

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da Folha Online

Atualizado às 16h51

A retomada gradual da atividade econômica nos EUA só deve começar no terceiro trimestre deste ano, quando a economia começar a responder aos estímulos fiscais, à queda nos preços da energia e aos esforços contínuos para estabilizar o setor financeiro e ampliar a disponibilidade de crédito. A avaliação consta da ata da reunião do Federal Reserve (Fed, o BC americano) realizada nos dias 27 e 28 de janeiro.

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Na reunião, o banco decidiu, em sua primeira reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) sob o mandato do novo presidente americano, Barack Obama, manter sua taxa de juros entre zero e 0,25% --foram oito votos a favor e um contra. A decisão de reduzir a taxa para o menor patamar da história do banco foi tomada em dezembro.

"Os indicadores, bem como as informações recebidas de contatos nas comunidades empresariais e financeiras, mostram uma contração econômica ampla e profunda tanto domesticamente como no exterior, refletindo em grande parte os efeitos adversos da intensificação da crise financeira e a interação da deterioração nas condições econômicas e financeiras", diz o documento.

Na avaliação do Fed, a oferta de crédito continua extremamente restrita, "com os mercados financeiros frágeis e algumas partes do setor bancário sob significativa pressão". O banco destaca que em alguns segmentos do mercado financeiro há sinais de melhora --principalmente naqueles que têm recebido apoio dos instrumentos de oferta de liquidez do Fed e de outras partes do governo.

O Fed ressaltou na ata que "em um ambiente de considerável lentidão na economia, pouca ou nenhuma pressão inflacionária por parte dos preços da energia ou de outros itens importados e uma possível queda nas expectativas de inflação, os preços e o núcleo da inflação [que exclui os preços de alimentos e energia] devem ficar baixos por muitos anos".

Os membros do comitê destacaram a continuidade nos cortes de gastos por parte dos consumidores --o consumo responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica americana. Tal atitude reflete a preocupação dos americanos com o mercado de trabalho, além de quedas na renda e ao crédito restrito.

O banco prevê que os cortes de impostos e outros elementos do pacote de estímulo à economia americana, assinado nesta terça-feira (17) pelo presidente Obama, devem dar impulso ao consumo, "embora o tamanho desse estímulo esteja pouco claro". "A menos que os cortes sejam percebidos como permanentes, o impulso aos gastos do consumidor pode ser de vida curta, como foi o caso das devoluções de impostos em 2008", diz o texto, referindo-se ao pacote de estímulo aprovado em fevereiro do ano passado pelo então presidente George W. Bush.

Emprego

O Fed ainda avaliou que o desemprego no país deve crescer "substancialmente" até o início 2010, quando então deve começar a ceder e seguir em ritmo moderado de redução ao longo do ano.

No mês passado, o Departamento do Trabalho informou que foram fechadas quase 600 mil vagas no mercado de trabalho americano. No ano passado, três milhões de pessoas perderam o emprego e o número de desempregados no país passa de 11 milhões. Desde o início da recessão nos EUA, em dezembro de 2007, o país já perdeu cerca de 3,6 milhões de empregos.

Na semana passada, Obama disse que "o coração do pacote é a criação de empregos", e destacou que o projeto deve criar cerca de 3 milhões de empregos, 90% dos quais no setor privado.

Mercado imobiliário

Sobre o mercado imobiliário, os membros do comitê não viram sinais de estabilização. "Embora as vendas de casas usadas pareça ter se estabilizado, uma ampla fração daquelas transações parece ter resultado de despejos e outras vendas forçadas; além disso, as vendas de casas novas, as construções de casas e a concessão de alvarás de construção parecem ter declinado acentuadamente", diz a ata.

"Preços mais baixos e as taxas de hipotecas parecem ter aumentado a capacidade de compra de imóveis, mas as expectativas de que os preços das casas podem cair ainda mais parecem ter refreado compradores em potencial."

O presidente Obama anunciou hoje um programa para ajudar mutuários em risco de perder suas casas devido á inadimplência em suas hipotecas. Segundo Obama, os americanos poderão pagar "um preço ainda maior" se a crise avançar. O programa prevê beneficiar até 9 milhões de proprietários com dívidas hipotecárias.

O pacote para socorrer os mutuários americanos estava orçado inicialmente em US$ 50 bilhões (cerca de R$ 115 bilhões), mas a proposta de Obama prevê um montante de US$ 75 bilhões para financiar, inicialmente, entre 3 milhões e 4 milhões de "proprietários responsáveis". O governo prevê ainda que a iniciativa impeça uma queda de US$ 6.000 no valor de cada moradia.

Segundo dados da agência Moody's, cerca de 52 milhões de americanos possuem hipoteca. Desses, 13,8 milhões, ou aproximadamente 27% do total, têm hipotecas cujos valores superam o preço de suas casas.

A Fannie Mae e Freddie Mac --principais empresas de hipotecas dos EUA--, que estão sob intervenção federal desde setembro de 2008, receberam um aumento na ajuda que o governo já havia destinado a ambas no ano passado. Inicialmente, cada uma receberia US$ 100 bilhões para evitar que quebrassem. O valor, dentro do novo programa para o setor imobiliário, foi elevado para US$ 200 bilhões para cada uma.

Comentários dos leitores
Cassio XF (33) 01/12/2009 19h54
Cassio XF (33) 01/12/2009 19h54
Nao eh o Ouro que que estah aumentando, sao as moedas que estao se desvalorizando. O ouro sempre tem valor estavel se comparado aos outros comodities. Por exemplo, a mesma quantidade de ouro compra o mesmo volume de petrole hoje e ou ha 30 anos atras.
Ele tem que ser usado de base para medir o poder de compra e quanto os governos estao inflacionando o mercado imprimindo dinheiro como querem.
O deficit publico mundial eh vergonhoso. Se imprime dinheiro para paga-lo e quem acaba pagando mesmo a conta eh o trabalhador via inflacao, ou desvalorizacao de seu dinheiro, principlamente no Brasil onde se ha somente uma moeda - pura ditadura economica.
3 opiniões
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joão nascimento (232) 01/12/2009 18h21
joão nascimento (232) 01/12/2009 18h21
epero que o dem puna o seu governador e não varra a sujeira para baixo do tapete como pt
SO O FATO DA OPSIÇÃO PUNIR O GOVERNADOR SO AI VAI GANHAR VOTOS E MUITTOS VOTOS POIS O BRASILEIRO EM SUA MAIORIA E HONESTO SE REALMENTE O DEDO DURO DO DURVAL TENHA RAZÃO E SO DAQUI DOIS MESES PEDIR O SIGILO BANCARIO DELE E DA FAMILIA VAI TER UM DEDINHO CORTADO NESTA SUJEIRA E SO ESPARAR PARA VER
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celso assis (76) 01/12/2009 12h32
celso assis (76) 01/12/2009 12h32
Seria talvez interessante saber não só a porecntagem em relação ao PIB, mas tambem qual a porcentagem em relação PIB dos empréstimos que foi para o consumo e qual a que foi para a produção (excuindo-se aqui dados do BNDES).
A renda per capita da população seria importante no estudo da dívida?
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