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20/02/2009 - 15h34

Saiba mais sobre a fabricante de aviões Embraer

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da Folha Online

A Embraer é uma das maiores fabricantes de aviões comerciais do mundo --atrás das gigantes Boeing e Airbus-- e a líder global em jatos de pequeno e médio portes, posição em que rivaliza com a canadense Bombardier.

A empresa foi criada em 1969, como parte de um plano do governo federal de nacionalizar a indústria brasileira. Sua sede desde aquela época é a cidade paulista de São José dos Campos (91 km de São Paulo), próximo ao ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), de onde sai grande parte dos profissionais que vão trabalhar nela.

Depois de passar por uma grave crise financeira no início da década de 1990, a Embraer passou por um processo de privatização encerrada em 1994. Na ocasião, os grupos Bozano Simonsen, Wasserstein e Perella e os fundos de pensão Previ e Sistel compraram a empresa. Dois anos depois, o grupo Bozano e a Previ assumiram o controle.

Divulgação
Jato Embraer 190, a aeronave mais vendida no ano passado (78 unidades); a empresa é a terceira maior exportadora brasileira
Jato Embraer 190, a aeronave mais vendida no ano passado (78 unidades); a empresa é a terceira maior exportadora brasileira

Em 2000, a empresa abriu seu capital na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e, seis anos depois, passou por uma reestruturação societária para se tornar a primeira grande empresa a entrar no Novo Mercado --segmento reservado para empresas comprometidas com práticas diferenciadas de tratamento ao acionista minoritário da Bolsa paulista.

Atualmente, o bloco controlador ainda é composto pela Previ (14,2% das ações) e pelo Grupo Bozano (10,4%). Porém, pode-se dizer que a maioria dos papéis da Embraer está na mão de estrangeiros: 29,8% das ações circulam na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), e outros 21,9% pertencem a três fundos de investimentos americanos (Janus Capital Management, Oppenheimer e Thornburg Investments).

Hoje, a empresa está presente em sete países --Brasil, Estados Unidos, China, França, Portugal e Cingapura-- e suas aeronaves estão em operação em 69 países. No Brasil, são seis plantas: além de três em São José dos Campos, ainda possui atividades nas cidades de Taubaté, Botucatu e Gavião Peixoto, todas no Estado de São Paulo.

Ao longo do último ano, a Embraer entregou 204 aeronaves, e possui US$ 20,9 bilhões em pedidos firmes (que já estão garantidos para fabricação, não podendo ser mais cancelados) na carteira. Trata-se da terceira maior empresa exportadora brasileira, atrás da Petrobras e da Vale do Rio Doce, e da segunda maior importadora, atrás da Petrobras.

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Linha de montagem de São José dos Campos (SP); demanda caiu por causa da crise
Linha de montagem de São José dos Campos (SP); demanda caiu por causa da crise

Crise

A empresa obteve, nos nove primeiros meses de 2008, um lucro líquido de R$ 191 milhões --notadamente menor que o dos anos anteriores (R$ 657 milhões em 2007, R$ 622 milhões em 2006 e R$ 709 milhões em 2005)-- devido aos primeiros efeitos da crise financeira.

O ramo de aviação foi afetado duplamente pela crise financeira global. Antes dela estourar, os preços dos combustíveis deram um forte salto, empurrado pelo preço do petróleo. A alta fez com que os custos das companhias aéreas disparassem, reduzindo seus ganhos e, consequentemente, sua capacidade de investimento --ou seja, comprando menos aeronaves. Em seguida a demanda das companhias aéreas caíram, fruto da recessão nos países mais desenvolvidos, o que também forçou as empresas a reduzirem suas compras.

No caso da Embraer, o problema é amplificado pelo fato de cerca de 40% de suas vendas serem para os Estados Unidos, o epicentro da crise. E, enquanto outras empresas daqui ainda se sustentaram com o mercado interno, o mesmo não aconteceu com ela, já que só 4,5% de suas vendas ocorrem no Brasil.

Por conta disso, a empresa anunciou na última quinta-feira a demissão de 20% de sua força de trabalho, o que geraria mais de 4.200 demissões. Com isso, ela ficaria com cerca de 17 mil funcionários, o menor volume desde o início de 2006.

Outro problema enfrentado pela fabricante de aeronaves e gerado pela crise foi a perda de R$ 177,8 milhões com operações de derivativos cambiais. As turbulências dos mercados de capitais provocaram oscilações bruscas na taxa de câmbio, que se transformaram em perdas para quem utilizava desses instrumentos financeiros.

 

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