Dinheiro
30/07/2009 - 07h40

Celso Pinto previu que reuniões do Copom ganhariam os jornais; leia trecho de livro

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da Folha Online

As reuniões do Comitê de Política Monetária geram, todos os meses, enorme expectativa sobre mudanças na taxa básica de juros. A imprensa dá enorme destaque ao tema e o mercado oscila de acordo com os anúncios.

Mas nem sem sempre foi assim. Antes da criação do Copom, os juros eram acertados no dia-a-dia, e, normalmente, as mudanças ficavam restritas às colunas especializadas dos jornais. Em artigo publicado em 1996, 11 dias antes da criação do Copom, o jornalista econômico Celso Pinto previu o que aconteceria caso a definição dos juros passasse a ser feita mês a mês.

"O principal problema do novo sistema seria criar expectativas mensais em torno da fixação das taxas de juros e dar enorme visibilidade e repercussão a qualquer movimento. Um pequeno aumento dos juros decidido por um comitê ganharia as primeiras páginas dos jornais e, provavelmente, a tribuna do Congresso", escreveu o jornalista.

O artigo de Celso Pinto sobre o Copom pode ser lido na íntegra abaixo. O texto faz parte da nova edição do livro "Os Desafios do Crescimento - Dos Militares a Lula" (Publifolha, 2009). O título reúne 90 textos em que o jornalista traça a história econômica brasileira das duas últimas décadas e analisa os erros e os acertos que moldaram a situação atual do país.

O livro está em pré-venda no site da Publifolha. A pré-venda é uma ferramenta que permite que o leitor faça a reserva para compra e receba o livro na data de seu lançamento. A cobrança só é feita após o envio da encomenda.

Leia o artigo abaixo e saiba mais sobre o livro.

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BC vira Bundesbank?

O Banco Central está estudando uma série de mudanças na forma de conduzir a política monetária, inspirada em algumas práticas do banco central alemão, o Bundesbank. A intenção é implementá-las de forma gradual.

Divulgação
Jornalista traça história econômica do Brasil nas duas últimas décadas
Capa da nova edição do livro "Os Desafios do Crescimento" (2009)

Seria criado um "Comitê de Política Monetária", formado pelos diretores do BC, e que se reuniria uma vez por mês. Nessas reuniões, a exemplo do que acontece com o comitê alemão, seria discutido o desempenho monetário e definida a taxa básica de juros
para o mês seguinte.

Aí entra outra mudança essencial. Existem três instrumentos clássicos usados pelos bancos centrais para controlar a liquidez da economia: comprar ou vender títulos públicos no mercado aberto (open market), emprestar dinheiro a curtíssimo prazo através do redesconto de liquidez, e fixar recolhimentos compulsórios sobre depósitos captados pelos bancos.

Cada instrumento tem suas vantagens e desvantagens. Nos países desenvolvidos, com economias abertas à livre entrada de capitais, virtualmente abandonou-se o uso dos compulsórios, e o instrumento monetário básico é a taxa de juros. Criar compulsórios nos bancos do país é inútil se as empresas podem tomar dinheiro no exterior.

No Brasil, desde o Plano Real utiliza-se de forma cavalar os depósitos compulsórios, além das operações diárias no open. O redesconto praticamente não é usado: além de muito caro, ele é visto como antessala da falência para quem o utiliza.

O BC quer mudar o balanço dos instrumentos disponíveis. A começar pela "descriminalização" do redesconto, reduzindo seus juros e facilitando o acesso a ele. A intenção é fazer com que o redesconto acabe ocupando o papel que hoje é desempenhado pelas operações diárias no open.

Ao comprar ou vender títulos, a mesa do BC acaba acertando as posições de reservas dos bancos, fazendo o que ficou conhecido como a "zeragem automática", ou seja, a doação automática de recursos aos bancos necessitados, no final do dia, usando títulos federais como garantia.

O BC quer que o redesconto passe a ocupar, cada vez mais, esse papel. Os bancos com necessidades de caixa recorreriam ao redesconto, usando outro tipo de garantia. Quanto mais recorresse ao redesconto, mais caras ficariam as taxas de juros.

A taxa de juro básica da economia, dessa forma, deixaria de ser fixada a cada dia pela mesa de open do BC, como acontece hoje. Por meio do comitê, o BC sinalizaria a taxa para o mês seguinte, e ela seria a referência do custo do redesconto para os bancos.

O BC fala em usar duas taxas básicas, como existe na Alemanha (a taxa lombarda e a de redesconto). Haveria, portanto, uma banda básica de juros em torno da qual operaria o BC. As mudanças poderiam afetar as duas taxas ou uma delas, também como ocorre na Alemanha.

A vantagem seria reduzir a incerteza. O BC deixaria claro sua intenção, e o sistema acompanharia. Além disso, o BC supõe poder ganhar eficácia na execução da política monetária ao acabar com a zeragem automática.

O principal problema do novo sistema seria criar expectativas mensais em torno da fixação das taxas de juros e dar enorme visibilidade e repercussão a qualquer movimento. Hoje, os juros são acertados no dia-a-dia, e, normalmente, as mudanças ficam restritas às colunas especializadas. Um pequeno aumento dos juros decidido por um comitê, contudo, ganharia as primeiras páginas dos jornais e, provavelmente, a tribuna do Congresso.

Há também quem duvide que o sistema de "zeragem automática" seja um problema. O ex-diretor do BC e atual dirigente do Banco Garantia, Cláudio Haddad, por exemplo, argumenta que, com ou sem a zeragem, o BC continuará com a obrigação de zerar as posições dos bancos, por ser o único criador possível de reservas.

A curtíssimo prazo, portanto, a política monetária é sempre "passiva", argumenta. A forma de torná-la ativa é mexer nos juros e esperar seus efeitos a mais longo prazo.

Folha de S Paulo, 9/6/1996

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"Os Desafios do Crescimento - Dos Militares a Lula"
Autor: Celso Pinto
Editora: Publifolha
Páginas: 400
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: O livro está em pré-venda no site da Publifolha
Disponibilidade: Lançamento no dia 24/03/2009

 

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