Dinheiro
10/03/2009 - 09h02

PIB cai 3,6% no quarto trimestre; expansão da economia em 2008 fica em 5,1%

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JULIANA ENNES
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Atualizado às 11h14.

A crise global fez a economia brasileira registrar no quarto trimestre do ano passado uma queda de 3,6% em relação ao terceiro trimestre, o maior recuo da série histórica do PIB (Produto Interno Bruto), iniciada em 1996 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já em relação ao quarto trimestre de 2007, houve expansão de 1,3%.

No acumulado de 2008, o crescimento do PIB chegou a 5,1% em relação a 2007, sustentado pelo bom desempenho dos trimestres anteriores. Ao todo, a economia movimentou R$ 747,152 bilhões no quarto trimestre; no ano, o PIB em valores correntes foi de R$ 2,889 trilhões.

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Segundo a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado foi puxado pela indústria e os investimentos. "Todos os setores tiveram desaceleração nos resultados no quarto trimestre, mas na indústria foi pior", O PIB industrial recuou 7,4% entre o terceiro e o quarto trimestre, enquanto os investimentos caíram 9,8% (leia mais abaixo).

Para Rebeca Palis, a crise aboliu o crescimento contínuo do PIB. "Houve uma ruptura, mas não dá para dizer se isso vai mudar o patamar."

Os números divulgados nesta terça-feira mostram uma brusca desaceleração da economia brasileira, que assim como todos os países do mundo reflete a crise econômica. A parada no crescimento ocorre depois de uma alta de 6,8% no PIB terceiro trimestre --à época, o PIB anual estava em 6,3% (dado revisado) sobre 2007.

A crise começou a se acentuar em setembro, depois que a quebra de bancos nos EUA fizeram a confiança no sistema financeiro desaparecer e o crédito mundial secar. Com isso, as empresas passaram a ter dificuldade em obter financiamentos e investir no setor produtivo. As pessoas físicas, por sua vez, também com menos crédito em circulação, começaram a consumir menos. Gerou-se, assim, uma crise de demanda: com menos gente querendo comprar, menos as empresas produziam. Automaticamente, menos empregos e contratações alimentaram a queda do consumo. No final, a crise financeira se transformou em crise econômica, com reflexos na chamada economia real.

Setores

O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país --é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

O investimento realizado no país, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), ficou em R$ 138,4 bilhões no quarto trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre, o valor apresenta queda de 9,8%. No acumulado do ano, a taxa de investimento aumentou 13,8% em relação a 2007. Em relação ao PIB, a taxa de 2008 representou 19%, melhor resultado desde o início da série do IBGE.

O setor industrial, na comparação com o terceiro trimestre, teve queda de 7,4% (R$ 174,316 bilhões). Em relação ao quarto de 2007 também houve queda (4,1%), mas ficou 4,3% maior em 2008 em relação ao acumulado de 2007.

O setor de serviços registrou recuo de 0,4% frente ao terceiro trimestre. No ano, o segmento cresceu 4,8% sobre os 12 meses anteriores. Em relação ao quarto trimestre de 2007, houve alta de 2,5%.

O setor agropecuário, por sua vez, cresceu 2,2%, na comparação com o período de outubro a dezembro do ano anterior. No ano, essa expansão chegou a 5,8%. Em relação ao terceiro trimestre de 2008, a agropecuária teve queda de 0,5%.

O consumo das famílias --um dos itens responsáveis pelo forte crescimento da economia nos últimos trimestres por conta do crédito em alta-- viu queda de 2% em relação ao terceiro trimestre. No ano, porém, acumulou alta de 5,4% ante 2007. Sobre o quarto trimestre de 2007, a alta foi de 2,2%.

Em contrapartida, o consumo do governo, que cresceu e ajudou a segurar a desaceleração da economia, subiu 0,5% no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre de 2008. Se comparado a igual período em 2007, o gasto público registrou alta de 5,5% no quarto trimestre do ano passado. No acumulado do ano passado, a elevação ficou em 5,6%.

Arte/Folha Online
Comentários dos leitores
celso assis (71) 28/11/2009 15h24
celso assis (71) 28/11/2009 15h24
PERGUNTAR NÃO OFENDE: O DUBAI É HOJE O QUE OS EUA FORAM ONTEM E O QUE O BRASIL SERÁ AMANHÃ?
É O QUE DA O CRESCIMENTO BASEADO EM FINANCIAMENTOS AO CONSUMO (AINDA PARA A PRODUÇÃO DÁ PARA ENTENDER)
sem opinião
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Olmir Antonio de Oliveira (63) 28/11/2009 15h16
Olmir Antonio de Oliveira (63) 28/11/2009 15h16
Boa iniciativa para ativar o comércio, pena que muitos itens de eletroeletrônicos e até outros bens duraveis, "automoveis, motos"possuem um custo alto para o consumidor brasileiro, que tem poder aquisitivo pequeno, por diversas razões, salários cheios de custos e encargos (cheio de vales, e o trabalhador cada vez mais dependentes deles.....), impostos de toda ordem e sorte, e quem nem sempre são bem aplicados no bem comum, muitos casos servindo de benefício e até "farra" de politicos, e indo até a má utilização e projetos não bem elaborados e ou de real útlidade. Os produtores também sofrem penalizações diversas, altas taxas juros, e ou pouco crédito, impostos em números de dezenas, burocracia, infraextrutura que precisa ser melhorada, estradas construidas com recursos de impostos e agora pedagiadas, não se vê unidades destas construidas especialmente para tal fim, como alternativa e não com fim unico. è de se considerar que ainda existem empresarios de boa fé e ou por oportunismo ainda penalizam o consumidor brasileiro, praticando preços vultosos. No atual cenário é muito valido que o frabricante sugira um preço final para o consumidor (exemplifico os sugeridos por determindos fabricantes de bebidas, águas e ou até de renomados fabricantes de eletrônicos), (a exemplo do revendedor de bebida, que posui margem que supera os valores de fabrico e lógistica....e só desprender de recursos após o repasse ao consumidor)........ sem opinião
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Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h52
Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h52
FHC: foi um diplomata pacífico, mas fazia viagens internacionais para fazer visitas oficiais sem aumento de laços econômicos nem melhorou a imagem do país
LULA: é um diplomata pacífico, mas fez inúmeros acordos econômicos internacionais que permitiu ao Brasil aumentar as exportações e projetou o país como uma voz importante para discutir questões relevantes. Hoje o Brasil é um país respeitado internacionalmente e visto realmente como um país de grande potencial e liderança.
FHC: reservas internacionais: 18 Bilhões de dólares
LULA: reservas internacionais :235 bilhões de dólares
FHC: baseado arrocho salarial, estado mínimo, aumento de desigualdade social, aumento da dívida externa e desemprego quebrou o país 3 vezes em 8 anos e manteve a atividade econômica baixa e teve média de crescimento de 2,2% do PIB.
LULA: baseado na recuperação salarial, estado forte, diminuição da desigualdade social e aumento do emprego mantêm a atividade econômica nacional aquecida e mantêm crescimento econômico médio de 4,2%.
AINDA TEM GENTE QUE DIZ QUE A POLÍTICA ECONÔMICA É A MESMA... É PRA RIR?
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