Queda de 3,6% no PIB surpreende analistas, que estimam amplo corte nos juros
JULIANA ENNES
da Folha Online, no Rio
Atualizado às 09h48.
A queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto) no quarto trimestre, em relação ao trimestre anterior, foi a maior de toda a série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada há 13 anos. A maior queda trimestral registrada até então havia sido de 1,9%, no último trimestre de 1996, primeiro ano da série.
O resultado do PIB no último trimestre ficou abaixo das expectativas de analistas ouvidos pela Folha Online. As estimativas eram de que o resultado ficasse em torno de 2,2% negativo.
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O economista-chefe da Ágora Invest, Álvaro Bandeira, previa que a queda sobre o terceiro trimestre fosse de 2,1% ou 2,2%. Já em relação aos últimos três meses do ano anterior, deveria ser mantida uma alta, de 1,9%.
Para o economista, a queda é global, em todos os segmentos. "Acho que o resultado do quarto trimestre veio muito baixo. É todo muito fraco", disse Bandeira.
A estimativa de Élson Teles, da Concórdia, era de queda de 2,3% no trimestre. Ante o mesmo período de 2007, a perspectiva era de alta de 1,8%. Para ele, na ótica da oferta, a indústria é que puxa o resultado negativo no trimestre. "O tombo da indústria foi muito forte", justifica o analista.
Com um quarto trimestre com ganho de 1,3% ante igual período do ano anterior, as estimativas para o acumulado em 2009 ainda ficam no campo positivo, em torno de 1%. De acordo com o relatório Focus, realizado pelo Banco Central junto a instituições financeiras, divulgado ontem, as estimativas eram de que o PIB em 2009 ficasse em 1,2%.
A mesma previsão foi feita pelo economista da Ágora, Álvaro Bandeira. Já Élson Teles, da Concórdia, acredita que "dificilmente o Brasil vai crescer mais do que 1%".
Copom
Com a forte queda no PIB, além da forte retração da produção industrial, já divulgada pelo IBGE, as expectativas são de que o Copom (Comitê de Política Monetária) corte os juros em 1,5 ponto percentual na reunião que termina amanhã e define a nova taxa. Atualmente, a Selic está em 12,75% ao ano.
"Desde que saiu o número da produção industrial, passei a prever corte de 1,5 ponto percentual. A idéia é terminar o ano ainda com dois dígitos, em torno de 10% ou 10,25% ao ano", disse Álvaro Bandeira.
Ele lembrou que já há economistas prevendo que a Selic termine o ano em torno dos 9%, mas isso vai depender da resposta da inflação ao longo do ano. Élson Teles, da Concórdia, também acredita que a Selic termine o ano em torno de 10%, no máximo em 9,75%. Mas, para a reunião desta semana, sua aposta é de que o corte seja apenas 1 ponto percentual.
"O ajuste total deve ser maior do que se previa antes, mas isso não quer dizer que o BC precisa acelerar o ritmo de cortes da taxa de juros. Ele até teria justificativa para acelerar, porque os dados de produção têm decepcionado, com efeitos da crise externa", disse Teles.
O economista lembrou, no entanto, que a inflação tem apresentado rigidez na queda, ao menos nos setores ligados ao consumo interno. A divulgação do IPCA, amanhã de manhã, deverá ser crucial para a decisão do Copom.
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O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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