Dinheiro
10/03/2009 - 15h26

Mantega reduz previsão para PIB e diz que ficou "difícil" crescer 4%

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 16h18.

A queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto) no último trimestre de 2008 levou o ministro Guido Mantega (Fazenda) a reduzir sua previsão de crescimento para 2009. De acordo com Mantega, "ficou difícil" alcançar a meta de 4% traçada anteriormente pelo governo. O ministro avalia, no entanto, que é possível crescer acima das previsões do mercado, de cerca de 1,5%.

"Com esse resultado do quarto trimestre de 2008, ficou difícil atingirmos aquela meta de crescimento de 4% da qual eu vinha falando, porém o governo continuará tomando as medidas necessárias de modo que a economia brasileira tenha o melhor desempenho possível", afirmou.

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O ministro classificou a queda de 3,6% no PIB do quarto trimestre, em relação ao trimestre anterior, como uma "redução considerável do crescimento".

Mantega não quis divulgar a nova previsão do governo, que será apresentada na revisão do Orçamento de 2009 no próximo dia 20. Afirmou, no entanto, que o crescimento ficará acima das previsões mais pessimistas.

Segundo reportagem da Folha desta terça-feira, técnicos do Ministério da Fazenda já trabalham com um crescimento de 2% para este ano.

"Os mais pessimistas falam em crescimento de 1% a 1,5% para o PIB da economia em 2009. Acredito que podemos ter mais que isso", disse Mantega.

Recessão

Para o primeiro trimestre deste ano, o governo espera um resultado positivo para o PIB em relação ao final de 2008. Se isso se confirmar, estaria afastada a possibilidade de uma recessão técnica no Brasil --dois trimestres seguidos de retração na economia na comparação com o trimestre anterior.

"Pelos dados que nós temos hoje não há indicação de que nós vamos ter recessão, como há na maioria dos países avançados. A tendência é que o primeiro trimestre seja melhor que o último de 2008, então não haveria recessão técnica", disse Mantega.

Para todo o primeiro semestre, a Fazenda espera uma recuperação em relação ao final de 2008, mas ainda abaixo do registrado no mesmo período de 2008.

"No segundo semestre a economia deverá retomar um crescimento maior. O PIB brasileiro em 2009 será positivo. Será um dos poucos países que terá um PIB positivo."

Segundo Mantega, a queda do PIB foi puxada principalmente pela desaceleração no setor industrial, que cortou a produção no fim do ano para reduzir seus estoques e fazer caixa. O ministro avaliou que esse movimento foi até "maior do que seria necessário, pela dimensão da crise."

PIB

O PIB é formado pela indústria, agropecuária e serviços, mas também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido (demanda). Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

A crise global fez a economia brasileira registrar no quarto trimestre do ano passado uma queda de 3,6% em relação ao terceiro trimestre, o maior recuo da série histórica do PIB, iniciada em 1996. Já em relação ao quarto trimestre de 2007, houve expansão de 1,3%.

No acumulado de 2008, o crescimento do PIB chegou a 5,1% em relação a 2007, sustentado pelo bom desempenho dos trimestres anteriores. A preços de mercado, a economia movimentou R$ 747,152 bilhões no quarto trimestre; no ano, o PIB em valores correntes foi de R$ 2,889 trilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira mostram uma brusca desaceleração da economia brasileira, que assim como todos os países do mundo reflete a crise econômica. A parada no crescimento ocorre depois de uma alta de 6,8% no PIB terceiro trimestre --à época, o PIB anual estava em 6,3% (dado revisado) sobre 2007.

A crise começou a se acentuar em setembro, depois que a quebra de bancos nos EUA fizeram a confiança no sistema financeiro desaparecer e o crédito mundial secar. Com isso, as empresas passaram a ter dificuldade em obter financiamentos e investir no setor produtivo. As pessoas físicas, por sua vez, também com menos crédito em circulação, começaram a consumir menos. Gerou-se, assim, uma crise de demanda: com menos gente querendo comprar, menos as empresas produziam. Automaticamente, menos empregos e contratações alimentaram a queda do consumo. No final, a crise financeira se transformou em crise econômica, com reflexos na chamada economia real.

 

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