Dinheiro
10/03/2009 - 16h05

Agropecuária sobe 5,8% no ano e supera PIB de 4,3% da indústria

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JULIANA ENNES
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Com a forte retração verificada pela indústria no último trimestre do ano passado, a agropecuária acabou ocupando o lugar de destaque no resultado do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008. O setor avançou 5,8%, enquanto a alta acumulada da indústria foi de 4,3%, seguida pelo setor de serviços (4,8%), de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta terça-feira.

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Segundo a coordenadora de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, o destaque no ano foi o desempenho positivo da lavoura. Em 2008, o produto que mais puxou a agropecuária foi o café, cuja produção cresceu 25%, seguido pela cana de açúcar, com mais 19,2%.

Outros destaques foram o milho (13,3%), a soja (3,4%) e laranja (0,1%). Os setores que seguraram um pouco o desempenho foram a silvicultura e a exploração florestal, além da pecuária, que tem passado por problemas nos rebanhos.

No último trimestre de 2008, o PIB da indústria caiu 7,4%, após alta de 3,6% no terceiro trimestre. Em relação ao quarto trimestre de 2007, a indústria caiu 2,1%. Já a agropecuária registrou perdas de 0,5% ante o terceiro trimestre de 2008, após alta de 2,2% ante os três últimos meses do ano anterior.

Indústria

De acordo com relatório publicado pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o retrocesso do processo de alta do PIB, que "tinha tudo" para superar os 6,5% no ano, foi causado quase exclusivamente pelo setor industrial.

Para o Iedi, a crise internacional afetou as exportações de maneira grave, o que acabou por implicar em menor produção industrial. Os agentes domésticos, entre bancos, empresas e famílias, em resposta à queda das exportações, teriam pisado forte no freio do crédito, dos investimentos e do consumo. As exportações caíram 0,6% em 2008.

No acumulado do ano, o desempenho ainda positivo da indústria foi puxado pela construção civil, que apresentou alta de 8% em 12 meses. Segundo Rebeca Palis, o crescimento do crédito direcionado ao setor de habitação, de 30,4%, foi um dos principais impulsionadores. O setor de obras públicas também foi significativo, além de um aumento de 4,2% na população ocupada na construção.

Os serviços de utilidade pública, como energia elétrica, água e esgoto, representaram uma alta de 4,5% dentro da indústria. Em relação ao quarto trimestre do ano anterior, o setor apresentou a maior alta industrial, de 3,2%.

Já a indústria extrativa mineral teve alta de 4,3% no ano passado e ficou praticamente estável em relação aos últimos três meses de 2007, com avanço de 0,2%. O setor foi puxado, por um lado, pela extração de petróleo e gás, que teve alta de 5,2% no ano, e ponderado pelo pequeno aumento da extração de minério de ferro, que cresceu somente 1,9% em 2008.

A indústria da transformação teve avanço de 3,2%. Os maiores crescimentos, em valor adicionado, foram de equipamentos de transporte, produtos farmacêuticos, cimento, álcool e produtos metálicos. Já entre as maiores quedas apareceram produtos de madeira, químicos diversos, materiais eletrônicos e equipamentos de comunicação.

PIB

O PIB é formado pela indústria, agropecuária e serviços, mas também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido (demanda). Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

A crise global fez a economia brasileira registrar no quarto trimestre do ano passado uma queda de 3,6% em relação ao terceiro trimestre, o maior recuo da série histórica do PIB, iniciada em 1996. Já em relação ao quarto trimestre de 2007, houve expansão de 1,3%.

No acumulado de 2008, o crescimento do PIB chegou a 5,1% em relação a 2007, sustentado pelo bom desempenho dos trimestres anteriores. A preços de mercado, a economia movimentou R$ 747,152 bilhões no quarto trimestre; no ano, o PIB em valores correntes foi de R$ 2,889 trilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira mostram uma brusca desaceleração da economia brasileira, que assim como todos os países do mundo reflete a crise econômica. A parada no crescimento ocorre depois de uma alta de 6,8% no PIB terceiro trimestre --à época, o PIB anual estava em 6,3% (dado revisado) sobre 2007.

A crise começou a se acentuar em setembro, depois que a quebra de bancos nos EUA fizeram a confiança no sistema financeiro desaparecer e o crédito mundial secar. Com isso, as empresas passaram a ter dificuldade em obter financiamentos e investir no setor produtivo. As pessoas físicas, por sua vez, também com menos crédito em circulação, começaram a consumir menos. Gerou-se, assim, uma crise de demanda: com menos gente querendo comprar, menos as empresas produziam. Automaticamente, menos empregos e contratações alimentaram a queda do consumo. No final, a crise financeira se transformou em crise econômica, com reflexos na chamada economia real.

 

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