Banco Central corta juros em 1,5 ponto e reduz taxa para 11,25% ao ano
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Atualizado às 20h21.
Com o agravamento da crise econômica, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, acelerar a queda dos juros e reduziu a taxa básica em 1,5 ponto percentual, cortando a Selic de 12,75% ao ano para 11,25% ao ano.
Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia
Trata-se do segundo corte de juros desde a piora na crise, a partir de setembro. Em janeiro, o Copom reduziu a Selic de 13,75% para 12,75% --a próxima reunião será nos dias 28 e 29 de abril. A redução de hoje é a maior desde novembro de 2003, quando a taxa caiu de 19% para 17,50% ao ano. Com essa nova redução, a Selic voltou ao nível em que estava em março de 2008, o menor da história.
A medida foi recebida com certa insatisfação pela indústria, comércio e centrais sindicais. Os setores defenderam cortes maiores e mais frequente na taxa para evitar uma recessão no país e estimular o crescimento.
| Arte Folha Online | ||
![]() |
Em nota divulgada após a reunião, que durou cerca de 2 horas, o Copom afirma que irá acompanhar a trajetória da inflação e os efeitos das quedas de juros já realizadas para avaliar a intensidade dos próximos cortes.
"Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta magnitude e a rapidez do ajustes da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para aí então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária."
Apesar do corte de hoje, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo. Em termos nominais, ficam à frente da taxa Selic os juros na Venezuela (17,06%), Rússia (13%), Turquia (11,50%) e Argentina (11,38%). Em relação aos juros reais (descontada a inflação), o Brasil continua com a maior taxa, de 6,51% ao ano.
Desaceleração
A decisão do BC foi influenciada, principalmente, pelos dados sobre a desaceleração da economia e pela queda da inflação registrada nos últimos meses.
O mercado financeiro, que até a semana passada previa um corte de 1 ponto percentual, já apostava em uma redução maior, de até 1,5 ponto. Os dados que mudaram as apostas para o Copom foram a queda na produção industrial de janeiro e a retração de 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país) no último trimestre de 2008.
A queda no PIB levou o ministro Guido Mantega (Fazenda) a abandonar a meta de crescer 4% neste ano. Segundo reportagem da Folha, a equipe do Ministério da Fazenda já admite internamente que o crescimento do Brasil neste ano deverá ficar entre 2,5% e 2%. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cobrou do BC uma queda mais rápida dos juros para reativar a economia.
De acordo com a pesquisa Focus, realizada pelo BC com o mercado financeiro, os economistas esperam agora uma sequência de novos cortes nos juros: para 11% em abril, 10,50% em junho e 10,25% em julho. Depois disso, a taxa só voltaria a cair em 2010, para 10% ao ano.
Inflação
Na contramão dos dados sobre a desaceleração da economia, foi divulgada hoje uma alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial de inflação, usado como meta pelo Banco Central.
O indicador voltou a subir em fevereiro, ficando em 0,55%, após ter registrado alta de 0,48% no mês anterior. A taxa é a maior desde os 0,74% verificados em junho do ano passado. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,90%, ainda acima da meta de 4,5% para este ano.
Outra preocupação do BC, a expectativa do mercado em relação à inflação, no entanto, segue em queda. Segundo a pesquisa Focus, o mercado espera um IPCA de 4,6% neste ano.
Além disso, outros indicadores de inflação, como os IGPs, que são utilizados no cálculo dos reajustes de tarifas, aluguéis e contratos, continuam registrando queda da inflação.
Leia mais notícias sobre a Selic
- Banco Central corta juros em 1,5 ponto e reduz taxa para 11,25% ao ano
- Mercado espera taxa de juros abaixo de 10% até junho
- Comércio defende queda de juros para evitar recessão no Brasil
- Centrais aprovam redução da Selic, mas defendem corte maior
Outras notícias sobre economia em Dinheiro
- Fortunas de bilionários mais jovens caem 30% com crise, diz "Forbes"
- Miguel Jorge diz que acharia ótimo se Selic caísse para menos de 10%
- OMC critica protecionismo e crédito estatal do Brasil
Especial
- Leia a cobertura completa sobre a crise dos EUA
- Veja o que há em nossos arquivos sobre a taxa básica de juros
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



avalie fechar
avalie fechar
MAS ESTOU COM UM PÉ ATRAS, POIS CERTAMENTE TEMOS AQUI E EM OUTROS PAISES EMERGENTES, UMA BELA BOLHA NAS BOLSAS, NOS IMOVEIS, ETC.
PARECE QUE A ECONOMIA ESTA SENDO TOCADA NA BASE DE DINHEIRO EMPRESTADO, QUE LOGO PODE ESGOTAR-SE OU REDUNDAR EM CALOTES IMENSOS.
TB TEMOS QUE TORCER MUITO PARA QUE O MUNDO NAO SOFRA UMA RECAIDA TAO LOGO TERMINEM O FORNECIMENTO DOS ANALGESICOS (POLITICA MONETARIA E FINANCEIRA EXTREMAMENTE FROUXA), QUE ESTAO SENDO MINISTRADOS AO PACIENTE, AINDA NA UTI, E QUE SE RETIRADOS CAUSA A VOLTA DE FEBRE LÁ PELOS 42 GRAUS, SEGUIDAO DO COLAPSO TOTAL.
avalie fechar