Dinheiro
11/03/2009 - 18h52

Banco Central corta juros em 1,5 ponto e reduz taxa para 11,25% ao ano

Publicidade

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 20h21.

Com o agravamento da crise econômica, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, acelerar a queda dos juros e reduziu a taxa básica em 1,5 ponto percentual, cortando a Selic de 12,75% ao ano para 11,25% ao ano.

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

Trata-se do segundo corte de juros desde a piora na crise, a partir de setembro. Em janeiro, o Copom reduziu a Selic de 13,75% para 12,75% --a próxima reunião será nos dias 28 e 29 de abril. A redução de hoje é a maior desde novembro de 2003, quando a taxa caiu de 19% para 17,50% ao ano. Com essa nova redução, a Selic voltou ao nível em que estava em março de 2008, o menor da história.

A medida foi recebida com certa insatisfação pela indústria, comércio e centrais sindicais. Os setores defenderam cortes maiores e mais frequente na taxa para evitar uma recessão no país e estimular o crescimento.

Arte Folha Online

Em nota divulgada após a reunião, que durou cerca de 2 horas, o Copom afirma que irá acompanhar a trajetória da inflação e os efeitos das quedas de juros já realizadas para avaliar a intensidade dos próximos cortes.

"Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta magnitude e a rapidez do ajustes da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para aí então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária."

Apesar do corte de hoje, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo. Em termos nominais, ficam à frente da taxa Selic os juros na Venezuela (17,06%), Rússia (13%), Turquia (11,50%) e Argentina (11,38%). Em relação aos juros reais (descontada a inflação), o Brasil continua com a maior taxa, de 6,51% ao ano.

Desaceleração

A decisão do BC foi influenciada, principalmente, pelos dados sobre a desaceleração da economia e pela queda da inflação registrada nos últimos meses.

O mercado financeiro, que até a semana passada previa um corte de 1 ponto percentual, já apostava em uma redução maior, de até 1,5 ponto. Os dados que mudaram as apostas para o Copom foram a queda na produção industrial de janeiro e a retração de 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país) no último trimestre de 2008.

A queda no PIB levou o ministro Guido Mantega (Fazenda) a abandonar a meta de crescer 4% neste ano. Segundo reportagem da Folha, a equipe do Ministério da Fazenda já admite internamente que o crescimento do Brasil neste ano deverá ficar entre 2,5% e 2%. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cobrou do BC uma queda mais rápida dos juros para reativar a economia.

De acordo com a pesquisa Focus, realizada pelo BC com o mercado financeiro, os economistas esperam agora uma sequência de novos cortes nos juros: para 11% em abril, 10,50% em junho e 10,25% em julho. Depois disso, a taxa só voltaria a cair em 2010, para 10% ao ano.

Inflação

Na contramão dos dados sobre a desaceleração da economia, foi divulgada hoje uma alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial de inflação, usado como meta pelo Banco Central.

O indicador voltou a subir em fevereiro, ficando em 0,55%, após ter registrado alta de 0,48% no mês anterior. A taxa é a maior desde os 0,74% verificados em junho do ano passado. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,90%, ainda acima da meta de 4,5% para este ano.

Outra preocupação do BC, a expectativa do mercado em relação à inflação, no entanto, segue em queda. Segundo a pesquisa Focus, o mercado espera um IPCA de 4,6% neste ano.

Além disso, outros indicadores de inflação, como os IGPs, que são utilizados no cálculo dos reajustes de tarifas, aluguéis e contratos, continuam registrando queda da inflação.

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h22
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h22
Acabei de ler na Revista Veja na casa de um meu amigo, uma reportagem em que lá pelas tantas diz assim : O BRASIL PASSA AGORA PELO SEU MELHOR MOMENTO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS. Que isso ? Já vai se entregar assim de vez ? Um aviso. Assim sendo, dentro de algum tempo voce poderá topar na banca com uma nova revista, que se chamará IN.VEJA. sem opinião
avalie fechar
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h44
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h44
Celso Assis, acorda. Voce está lendo o jornal de uns 10 anos atrás. Olhe a data aí no alto. 1 opinião
avalie fechar
celso assis (67) 26/11/2009 16h04
celso assis (67) 26/11/2009 16h04
COMO TODO CIDADAO DESTE PAIS TB ESTOU TORCENDO POR UMA RECUPERAÇAO EM 2010. SE FOR NECESSARIO, POIS ANALISTAS DA MIDIA DIZEM QUE NEM HOUVE CRISE.
MAS ESTOU COM UM PÉ ATRAS, POIS CERTAMENTE TEMOS AQUI E EM OUTROS PAISES EMERGENTES, UMA BELA BOLHA NAS BOLSAS, NOS IMOVEIS, ETC.
PARECE QUE A ECONOMIA ESTA SENDO TOCADA NA BASE DE DINHEIRO EMPRESTADO, QUE LOGO PODE ESGOTAR-SE OU REDUNDAR EM CALOTES IMENSOS.
TB TEMOS QUE TORCER MUITO PARA QUE O MUNDO NAO SOFRA UMA RECAIDA TAO LOGO TERMINEM O FORNECIMENTO DOS ANALGESICOS (POLITICA MONETARIA E FINANCEIRA EXTREMAMENTE FROUXA), QUE ESTAO SENDO MINISTRADOS AO PACIENTE, AINDA NA UTI, E QUE SE RETIRADOS CAUSA A VOLTA DE FEBRE LÁ PELOS 42 GRAUS, SEGUIDAO DO COLAPSO TOTAL.
4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2398)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca