Dinheiro
11/03/2009 - 19h57

Dilma defende juros civilizados e critica "spread" dos bancos

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira que a crise financeira pode ser uma oportunidade para o Brasil adotar "juros civilizados" e criticou o "spread" cobrado pelos bancos. A ministra participou de evento que discutiu a crise no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

"Esta é uma possibilidade única de o Brasil ter juros civilizados, sem aventuras, sem arriscar o que já conquistamos", afirmou.

Dilma também criticou o "spread" bancário (diferença entre o custo de captação de recursos e os juros cobrados pelos bancos). "Vamos reduzir os juros e criar uma referência para o spread. O estranho é que há países em situação pior do que a nossa e que cobram 5% de spread sobre as taxas básicas", afirmou.

A ministra comentou a resistência do governo em criar um gabinete anticrise, proposto pela oposição. "O governo, por inteiro, está empenhado no combate a crise. Não existe dois brasis, um com crise e outro sem. Não vamos especializar nenhum setor do governo para enfrentar a crise. É por isso que o governo não fará um gabinete de crise".

Ela voltou a minimizar os efeitos da crise no Brasil. "A situação hoje do Brasil, estruturalmente, é mais sólida do que outros países", afirmou. Para a ministra, o desafio da crise é o custo do capital e do crédito.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que o governo é parte da solução da crise e não do problema e que espera que a Selic termina o primeiro semestre em um dígito. "O que não muda é a capacidade produtiva no Brasil", afirmou.

Segundo ele, a crise é uma falha de mercado e que programas sociais, como o Bolsa Família, atenuou seus efeitos.

Já o governador José Serra aproveitou seu discurso para dar "pitacos nas questões nacionais", como ele mesmo definiu. "Não tinha inflação que justificasse a política de juros. E, agora, já há seis meses de crise", afirmou, ao defender a redução da taxa de juros.

Segundo ele, a política monetária do governo federal é equivocada e "moleza de economista que acha que sabe de tudo, mas não sabe nada".

Arte Folha
 

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